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ENEM 2021: analista educacional do Sesi-SP comenta o conteúdo do primeiro dia de prova

Especialista cita pontos de destaque do exame que coincidem com proposta curricular da instituição, tendo em vista o pensamento crítico e reflexivo para questões da atualidade

 Por: Luiz Fernando Queiroz Melques, Analista Técnico-Educacional do Sesi-SP e Sarah Teixeira, Analista de Comunicação do Sesi-SP
22/11/202120:35- atualizado às 12:46 em 08/02/2022

Milhões de estudantes prestaram ontem (21/11) a primeira prova do Enem 2021. Os focos foram Ciências Humanas, Linguagens e Redação. As questões do Enem são conhecidas tanto pela variedade de textos empregada em seus suportes quanto pela abordagem contextualizada e este ano não foi diferente, contando com amostras de gêneros de diversos campos de atuação em seu repertório.

A prova de Linguagens contou com temas recorrentes, como a variação linguística e as funções da linguagem, mas também inovou abordando contextos de produção e recepção em espetáculos de dança com computação gráfica e confecção de objetos artísticos a partir de resíduos, entre outros recortes.

Para Luiz Fernando Queiroz Melques, analista técnico-educacional do Sesi-SP, repensar a circulação e a relação entre diferentes linguagens e manifestações artísticas requer dos respondentes a compreensão de que os significados são “construídos coletivamente”, vindo ao encontro da proposta curricular do Sesi-SP para esta área de conhecimento.

As questões de Ciências Humanas, por sua vez, deixaram de lado os mapas e os gráficos, focando textos escritos de diferentes fontes. Os registros abarcaram um amplo leque de temáticas, não se furtando a debates da cena contemporânea, como o racismo e a participação social, bem como considerando a realidade de diferentes grupos na história e na sociedade, como os povos indígenas e os refugiados. Por outro lado, os efeitos da pandemia e as alterações climáticas, temas em alta no momento, não foram contemplados pelos itens da área.

A prova exigiu, portanto, estratégias de leitura atenta e capacidade de reflexão para a identificação e compreensão de fenômenos linguísticos, artísticos, culturais e sociais em contextos diversos, tal como previsto nas expectativas de ensino-aprendizagem do currículo do Sesi-SP. Vale lembrar que o Para Gabaritar, em diálogo com o material didático, foi um grande aliado dos alunos para esta prova, tendo contemplado a maior parte dos temas abordados e oferecido valiosas dicas para a produção do texto argumentativo-dissertativo.

Quanto à esperada proposta de Redação, percebemos que o tema (Invisibilidade e registro civil: garantia de acesso à cidadania no Brasil), como na maioria das vezes, desviou das grandes apostas. No entanto, a abordagem dada não fugiu ao histórico do Enem de preocupação com a garantia de acesso a direitos, considerando as diferentes realidades existentes na população brasileira. Nesse sentido, o tema possibilitou a mobilização do repertório dos estudantes para a construção de argumentos e proposição de intervenções em prol da cidadania.

O trabalho com a cidadania, igualdade e equidade ocupa um papel de destaque no currículo do Sesi-SP, que promove, em toda sua abrangência, a construção de uma cultura democrática na escola. Assim, argumentar e defender uma postura ética e crítica diante de problemáticas sociais acabam não se restringindo aos objetos de conhecimento da Língua Portuguesa.

A perspectiva transdisciplinar, nesse caso, tende a oferecer uma visão mais complexa dos fenômenos, acionando e relacionando diferentes saberes em busca de soluções mais representativas e eficazes, assim como ocorre nas investigações e produções do Eixo Integrador Interáreas Pesquisa em Foco e nas demais propostas de pesquisa e intervenção que são estimuladas em todos os componentes curriculares ao longo do Ensino Médio.

Ao focar um grupo majoritariamente invisibilizado, o tema da Redação do Enem 2021 exige dos estudantes atenção para a situação de vulnerabilidade dessas pessoas sem registro e os diversos efeitos decorrentes dessa falta, permitindo vários recortes, que vão desde o acesso à educação básica e ao sistema único de saúde até, considerando a realidade recente do país, o direito ao auxílio emergencial e à vacinação. Nesse momento, outras referências, como a pobreza extrema, o isolamento de territórios, o reconhecimento de paternidade, a situação dos refugiados e a importância do voto e do Censo, entram em jogo paralelamente, de acordo com os repertórios mobilizados por cada estudante.

 

 

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