Especialista destaca o caráter multifatorial da saúde mental e reforça a importância de ambientes de trabalho que promovam bem-estar, pertencimento e propósito
Por: Aline Paglarini, SESI-SP
27/08/202613:58- atualizado às 15:42 em 27/08/2026
O SESI-SP promoveu, em 18 de agosto, o webinar “Indústria em Equilíbrio: Estratégia Integrada de Cuidado e Saúde Mental no Trabalho”. A iniciativa contou com a participação do médico do trabalho e especialista em Medicina Legal e Perícias Médicas, Marcos Mendanha, e com a mediação realizada pelo médico e coordenador de Saúde Integral do SESI-SP, José de Miranda.
Durante o encontro, Mendanha apresentou uma reflexão sobre a relação entre saúde mental e trabalho. Embora os números relacionados aos afastamentos por transtornos mentais tenham crescido nos últimos anos, o especialista ressaltou a importância de evitar associações simplistas entre adoecimento mental e ambiente profissional.
Segundo dados do Ministério da Previdência Social, o INSS concedeu cerca de 550 mil afastamentos por transtornos mentais e comportamentais em 2025, especialmente transtornos como ansiedade, depressão e burnout. O número representa crescimento de 15,7% em relação a 2024.
No entanto, apenas uma parcela reduzida desses casos é reconhecida como diretamente ligada ao trabalho, evidenciando que a saúde mental resulta de múltiplos fatores que envolvem aspectos biológicos, psicológicos, sociais, familiares e ocupacionais.
Mendanha destacou a necessidade de compreender a complexidade da saúde mental e de considerar os diferentes fatores que podem influenciá-la. “O desafio é entender as diversas nuances do tema e construir ambientes que favoreçam a saúde e o bem-estar. A discussão não deve se limitar aos afastamentos, mas considerar todos os fatores que influenciam a saúde mental das pessoas”, afirmou.

Equipe SESI-SP e Marcos Mendonha, médico do trabalho e especialista em
Medicina Legal e Perícias Médicas. Foto: Camilla Carvalho - Sesi/Senai
Um dos principais pontos discutidos durante o evento foi se o trabalho mais adoece do que protege ou mais protege do que adoece?
A partir disso, Mendanha apresentou evidências de que o trabalho, quando realizado em condições adequadas, pode representar um importante fator de proteção para a saúde mental. “Além de proporcionar renda, o trabalho ajuda na integração social, fortalece vínculos, promove senso de pertencimento, estimula o desenvolvimento pessoal e contribui para a construção de propósito e identidade”, diz.
O especialista também ressaltou que a ausência de trabalho pode trazer impactos significativos para a saúde física e mental, estando associada ao aumento de quadros de depressão, isolamento social e outros agravantes à saúde.
Nesse contexto, a discussão sobre saúde mental nas empresas não aborda somente a prevenção de riscos, mas também a valorização dos aspectos positivos que um ambiente de trabalho saudável pode oferecer aos trabalhadores.
Durante o webinar, foram apresentados fatores do ambiente corporativo que podem influenciar à saúde mental. Entre os elementos associados aos riscos psicossociais estão a sobrecarga de trabalho, a falta de controle e autonomia, a ausência de reconhecimento, dificuldades nas relações interpessoais, a percepção de injustiça organizacional e o desalinhamento entre valores pessoais e os da organização.
Por outro lado, ambientes caracterizados por relações de confiança, senso de comunidade, reconhecimento, liderança preparada, participação dos trabalhadores e clareza de propósito tendem a contribuir para experiências mais saudáveis e sustentáveis.
O encontro também destacou a importância da atuação integrada entre lideranças, RH, equipes de Saúde e Segurança do Trabalho e profissionais para a construção de uma cultura organizacional baseada no respeito, no diálogo e no cuidado contínuo.
Promover saúde mental nas organizações vai além do cumprimento de exigências regulatórias. A construção de ambientes saudáveis pode favorecer o engajamento, fortalecer vínculos, contribuir para a retenção de talentos e gerar impactos positivos tanto para os trabalhadores quanto para os resultados das empresas.
De acordo com o mediador, José de Miranda, desenvolver a saúde mental nas organizações é investir nas pessoas. “Empresas que incentivam uma cultura de cuidado, com lideranças preparadas e ações preventivas consistentes, fortalecem o engajamento, reduzem impactos relacionados ao absenteísmo e constroem resultados mais sustentáveis”, afirmou.
A discussão reforçou que o papel das organizações não se limita a evitar o adoecimento, mas também envolve criar condições para que o trabalho seja uma experiência positiva, capaz de contribuir para o desenvolvimento humano, o bem-estar e a qualidade de vida.

Marcos Mendanha, médico do trabalho e especialista em Medicina Legal e Perícias Médicas, e o médico e coordenador
de Saúde Integral do SESI-SP, José de Miranda. Foto: Camilla Carvalho - Sesi/Senai
O webinar gratuito marcou o lançamento do Programa Indústria em Equilíbrio: Estratégia Integrada de Cuidado e Saúde Mental no Trabalho, uma iniciativa do SESI-SP com o apoio do Conselho Nacional do SESI. O objetivo é promover a saúde mental no ambiente de trabalho por meio de ações educativas, preventivas e formativas, contribuindo para ambientes de trabalho seguros, saudáveis e alinhados às Normas Regulamentadoras.
A ação contempla uma Jornada pela Saúde Mental no Trabalho que reúne dez cursos EAD gratuitos, com certificado e acesso por 12 meses, organizados em trajetórias destinadas a lideranças, trabalhadores e equipes técnicas de SST e CIPA. O projeto também prevê materiais educativos, vídeo técnico e ações presenciais de ergonomia em empresas, oferecendo conhecimento e ferramentas para fortalecer ambientes de trabalho mais humanos, produtivos e saudáveis.
Para o gerente de Saúde e Inteligência de Negócios do SESI-SP, Jeferson Sakai, promover a saúde mental no trabalho é investir em pessoas. “Queremos fortalecer as organizações e contribuir para resultados mais sustentáveis, construindo um futuro do trabalho mais humano e produtivo”, destacou.
O evento recebeu cerca de 2 mil inscritos e foi direcionado a trabalhadores, lideranças, profissionais de Saúde e Segurança do Trabalho e membros da CIPA. O webinar de encerramento do projeto será realizado em 15 de setembro.