Na primeira participação do SESI-SP na modalidade, 13 estudantes das escolas de Jundiaí e Americana vivenciaram uma jornada de ciência, robótica e trabalho em equipe e conquistaram os prêmios Team Model Award e Coding Award
Por: Elaine Casimiro, SESI-SP
18/10/202622:31- atualizado às 22:48 em 18/10/2026
A curiosidade de descobrir, a coragem de experimentar e a alegria de aprender em equipe marcaram a estreia do SESI-SP na FIRST LEGO League Explore, torneio de robótica educacional voltado a crianças de 6 a 10 anos. No último sábado (17/10), 13 estudantes das escolas SESI de Americana e Jundiaí participaram do evento nacional de celebração da modalidade, realizado no Ginásio Educacional Olímpico Isabel Salgado, no Rio de Janeiro, e voltaram para casa com duas importantes conquistas.
Representado pelas equipes Golden Bots, da Escola SESI Americana, e Legoowls, da Escola SESI Jundiaí, o SESI-SP integrou o grupo de 40 equipes de diferentes estados brasileiros reunidas para celebrar o encerramento da temporada UNEARTHED. A proposta conectou a robótica educacional à arqueologia e às ciências da Terra, incentivando os pequenos a investigar problemas, desenvolver soluções e compartilhar suas descobertas.
Equipes Legoowls e Golden Bots
Foto: Camilla Carvalho/SESI-SP
A experiência foi ainda mais especial por reunir estudantes, tutores e familiares em um momento de aprendizagem e troca. Para as crianças, além de apresentar seus projetos, o encontro foi uma oportunidade de conhecer outras equipes, fazer novas amizades, aprender com diferentes experiências e perceber o quanto são capazes de criar e realizar.
Durante o evento, Troels Dyhrman, gerente de parcerias da LEGO Education, destacou que os participantes fazem parte de uma comunidade internacional dedicada à robótica e à aprendizagem.
“Nos campeonatos da FIRST são mais de 90 mil equipes espalhadas por mais de 100 países. Então, vocês aqui fazem parte de um movimento global, de uma comunidade global. Vou contar aos meus colegas que havia 40 equipes aqui no Brasil, que devem estar muito orgulhosas do trabalho, do esforço, das conquistas, das apresentações e de tudo o que fizeram. Os pais e professores também devem estar igualmente orgulhosos”, declarou.
Golden Bots: criatividade e colaboração para tornar a exploração arqueológica mais segura
A equipe Golden Bots, da Escola SESI Americana, conquistou o prêmio Team Model Award, reconhecimento à inovação e à criatividade demonstradas no projeto e na apresentação do modelo construído com peças LEGO.
Sob a orientação de Isabela Barbosa, orientadora de educação digital da unidade, os estudantes investigaram os desafios enfrentados pelos arqueólogos durante o trabalho de exploração. A partir de conversas com profissionais da área e de conhecimentos sobre solos, rochas e fósseis, as crianças identificaram riscos e pensaram em maneiras de tornar as investigações mais seguras.
A maquete do projeto Golden Apollo
Foto: Camilla Carvalho/SESI-SP
O resultado foi o projeto Golden Apollo, uma solução que reúne dois robôs com funções complementares: um identifica locais com potencial para escavação, enquanto o outro analisa as condições do ambiente e transmite informações ao arqueólogo, contribuindo para avaliar a segurança do local e identificar objetos de interesse.
Para Isabela, a participação no torneio teve um significado especial por representar a primeira experiência dos estudantes em um evento dessa dimensão.
“É muito grandioso, mas acho que o fato de ser a primeira vez que os pequenos têm a oportunidade de participar de um evento assim torna tudo muito mais especial. É um universo completamente novo, no qual eles ainda não tinham noção do potencial a que poderiam chegar. Estar aqui, celebrando e aproveitando essa experiência, é maravilhoso para o aprendizado deles. É potencializar demais o estudante”, destacou.
A construção do projeto foi resultado de um processo de investigação e descoberta. Os estudantes tiveram contato com arqueólogos e outros profissionais da área, além de aprenderem sobre a composição da terra, as rochas e os ossos. A partir dessas informações, passaram a levantar hipóteses sobre os riscos encontrados em diferentes ambientes, como cavernas e sítios arqueológicos submersos.
Foto: Camilla Carvalho/SESI-SP
“Eles foram explorando etapa por etapa. Foi realmente um processo de construção do conhecimento. Aos poucos, foram se perguntando: ‘E agora, qual é o problema?’. Juntos, fizeram análises e começaram a pensar nos riscos que poderiam existir dentro de uma caverna ou ao encontrar uma estrutura debaixo do mar. Fomos identificando fatores em comum que nos levaram à construção da nossa maquete, o Golden Apollo”, explicou a tutora.
Isabela ressalta que as ideias partiram das próprias crianças, que discutiram possibilidades, questionaram decisões e buscaram alternativas para o funcionamento da solução.
“É engraçado porque não é um trabalho individual: são eles que fazem tudo. Eles vão trazendo ideias, perguntando se podem colocar uma determinada peça, pensando nas possibilidades e avaliando os riscos. Se alguém sugere colocar uma garra, por exemplo, outro questiona se ela poderia estragar alguma coisa. É um processo mágico, gostoso de acompanhar. Você olha e pensa: ‘Nossa, eles fizeram tudo isso!’. E não fui eu. Eu fui apenas uma acompanhante do caminho deles. Eles fizeram isso de verdade”, contou.
Além do reconhecimento pelo projeto, a experiência fortaleceu os vínculos entre os integrantes da equipe, formada por crianças de diferentes turmas e anos escolares. Para Isabela, esse aspecto está entre as maiores conquistas da participação.
Foto: Camilla Carvalho/SESI-SP
“Acima de tudo, sinto orgulho. Não somente pelo que eles fizeram fisicamente, pelo projeto, mas por tudo o que construíram juntos. São crianças de salas e séries diferentes e, quando observamos, percebemos que são amigos. Eles realmente são Golden Bots. Ser Golden Bots se tornou algo para eles: é mais do que uma equipe, é um jeito de ser, de companheirismo, de diversão e de fazer ciência e robótica com alegria, brincadeira e leveza, sem o peso da seriedade. Acho que essa é justamente a principal proposta da Explore. Tenho muito orgulho de tudo o que construíram”, afirmou.
Para o estudante Yuri Lombardi, de 10 anos, do 5º ano do Ensino Fundamental da Escola SESI Americana, participar do torneio foi uma oportunidade de aprender e representar a escola em uma experiência inédita.
“A importância é que estou aprendendo muito, estou feliz por estar aqui e tenho orgulho de ser a primeira equipe do SESI 355”, disse.
Yuri também destacou o clima de colaboração entre os participantes, que compartilharam experiências e torceram uns pelos outros durante o encontro.
“São muitas pessoas e muitas equipes. Acho que o respeito entre elas é muito importante, todo mundo se respeitando, torcendo pelo outro e aprendendo uns com os outros”, comentou.
Para ele, a robótica representa um espaço de aprendizagem e abre caminhos para novos desafios. O estudante já pensa em continuar participando de competições da modalidade.
“A robótica significa um espaço, um lugar e também aprendizado. Quero participar da Challenge mundial e dessas outras categorias”, contou, demonstrando entusiasmo com as possibilidades que a experiência pode trazer para o futuro.
Legoowls: programação e tecnologia para preservar a arte rupestre
A equipe Legoowls, da Escola SESI Jundiaí, também garantiu seu lugar entre os destaques do evento ao conquistar o prêmio Coding Award, voltado à avaliação das habilidades de programação e da capacidade dos estudantes de demonstrar os conhecimentos desenvolvidos ao longo do projeto.
Orientados por Raphael da Costa, orientador de educação digital da unidade, os estudantes investigaram um problema relacionado à cristalização do sal em pinturas rupestres. A pesquisa começou com entrevistas com profissionais da área, entre eles uma arqueóloga que atua na região da Serra da Capivara, no Piauí. O contato ajudou a equipe a compreender os desafios enfrentados na preservação desse patrimônio e a pensar em soluções tecnológicas.
A maquete do projeto da Telha Inteligente
Foto: Camilla Carvalho/SESI-SP
De acordo com Raphael, o trabalho foi desenvolvido ao longo de uma jornada de pesquisa, criação e superação de dificuldades, na qual os estudantes tiveram espaço para explorar ideias e construir suas próprias respostas.
“A importância está na disseminação da robótica para a comunidade escolar e em todos os processos pelos quais eles passam durante a temporada, envolvendo tecnologia. É importante que consigam transmitir o que aprenderam tanto para a comunidade quanto para eles mesmos. E tudo isso com diversão, porque aprender se divertindo é muito importante”, explicou o tutor.
Durante o desenvolvimento do projeto, os integrantes da Legoowls elaboraram três propostas para enfrentar o problema da cristalização do sal nas pinturas rupestres. Entre as ideias consideradas estavam um sugador de calor, um robô com tecnologia de raio X para auxiliar na identificação de pinturas encobertas pelo sal e uma telha inteligente para evitar a infiltração de água nas rochas.
Foto: Camilla Carvalho/SESI-SP
Após analisar as possibilidades, a equipe escolheu a telha inteligente. A proposta busca interromper o ciclo que favorece a formação dos cristais: ao impedir a infiltração de água nas rochas, reduz-se o processo de evaporação que contribui para a cristalização do sal e, consequentemente, para o comprometimento das pinturas.
Raphael também ressaltou o potencial demonstrado pelos estudantes desde o início da preparação para a FIRST LEGO League Explore. Segundo ele, as crianças aprenderam rapidamente, participaram das atividades com desenvoltura e se mostraram dispostas a apresentar suas ideias e compartilhar o que descobriram.
“Desde a seleção para a FLL Explore, percebemos que eles têm um potencial muito grande, mesmo estando no Fundamental I. Aos poucos, com os treinos, eles aprendiam muito rápido. E não têm vergonha: se você pede para fazerem alguma coisa, eles fazem. Isso também nos desafia, porque precisamos lidar com nossas próprias dificuldades e ser exemplos para eles. Se sentimos vergonha de alguma coisa, também precisamos trabalhar isso. Por isso, participamos das dinâmicas, dançamos, cantamos. É bem divertido também”, afirmou.
Foto: Camilla Carvalho/SESI-SP
Para a estudante Maria Flor de Sá, de 9 anos, do 4º ano da Escola SESI Jundiaí, a experiência foi marcada pela convivência com os amigos, pela superação dos desafios e pela satisfação de chegar ao torneio depois de tanto trabalho.
“Estou achando bem bacana, porque é um momento para passar com os amigos e sentir, falar o que todo mundo está sentindo no fundo do coração. Sim, foi assustador, foi de quebrar a cabeça, mas conseguimos. Estamos aqui, no Rio”, comemorou.
A participação na FIRST LEGO League Explore marcou um novo capítulo para o SESI-SP na robótica educacional, ampliando as oportunidades de aprendizagem e de vivência em competições para os estudantes mais jovens.
Os pais tiveram a oportunidade de vivenciar o mundo da robótica
Foto: Camilla Carvalho/SESI-SP