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Em cartaz no Teatro do Sesi-SP, espetáculo Tectônicas, de Samir Yazbek, com direção de Marcelo Lazzaratto, tem sido sucesso de público e crítica

Espetáculo Tectônicas pode ser assistido presencialmente, no Teatro do Sesi-SP, até o dia 5 de dezembro, e no YouTube da instituição, até 20 de dezembro

 Por: Mariana Soares, Agência Indusnet Fiesp
14/10/202111:58- atualizado às 12:07 em 14/10/2021

Produção prevista para estrear no primeiro semestre de 2020, o espetáculo Tectônicas chegou aos palcos, após pausa de 15 meses, por conta da pandemia. Foi a peça de estreia na retomada do Teatro do Sesi-SP, no Centro Cultural Fiesp, desde que o espaço fechou como medida de protocolo preventivo. O espetáculo segue em temporada até 5 de dezembro. Sextas e sábados, às 20h, domingo, às 19h. Entrada gratuita. Os ingressos podem ser reservados no Meu Sesi.

O Sesi-SP é uma instituição que trabalha pela educação de forma ampla, onde Cultura é parte importante nesse processo. Todas as ações e projetos desenvolvidos pela instituição na Cultura visam a formação de novos públicos em artes, a difusão e o acesso aos projetos de forma gratuita, além de fomentar e promover o mercado cultural de São Paulo e do país.  

Tectônicas parte da obsessão de Jorge (André Garolli), um usineiro paulista, por punir Marcelo (Sidney Santiago Kuanza), que teria agredido sua filha, Fabíola (Maria Laura Nogueira). A peça investiga como essa obsessão, que ignora os ritos da justiça institucional, contamina as relações mais íntimas do usineiro (Emílio – Heitor Goldflus, Marli – Luciana Carnieli, Luna – Patricia Gasppar, Antenor – Alexandre Borges, e Nicão – Ademir Emboava, os dois últimos participações em vídeo) e estrutura a nossa sociedade, provocando uma espiral de violência que revela a face mais opressiva do patriarcado brasileiro. 

O espetáculo também pode ser assistido no YouTube do Sesi-SP até o dia 20 de dezembro. 

“Tectônicas pretende estimular uma reflexão sobre o nosso momento histórico, em que a violência tem preponderado tanto nas relações pessoais quanto nas sociais. Um convite à percepção de que não somos apenas as vítimas de um sistema que condenamos, mas os seus agentes e muitas vezes os seus algozes”, explica Samir Yazbek. 

A narrativa é conduzida de forma épica por Dolores e Alfredo, familiares já mortos do usineiro (Dolores – Sandra Corveloni e Alfredo – Mauro Schames), metaforizadas nas "tectônicas" (título da peça), palavra de origem grega (tektoniké) que significa “a arte de construir”, remetendo às placas que vivem recriando a paisagem da Terra. 

“Por meio da dialética criada entre passado e presente, pretende-se investigar não apenas como o primeiro determina o segundo, mas como o segundo pode redimensionar o significado do primeiro – daí o sentido da personagem Dolores (mãe de Jorge), que, embora já morta, pretende comunicar-se com o público, utilizando-se da metáfora das tectônicas, inspirada no universo da geologia”, completa o autor. 

 

Sobre a encenação 

Um organismo metálico e tubular livremente inspirado nas usinas de cana de açúcar é o cenário principal da peça, criado pelo diretor Marcelo Lazzaratto. “É o espaço em que todas as personagens, de certa forma, estão inseridas, podemos até dizer reféns, com maior ou menor consciência disso. Presas ao poder imposto por um patriarcado atávico que remonta aos primeiros passos de nossa colonização com as capitanias hereditárias e que até os dias de hoje regem, oprimem, determinam vidas e destinos, as personagens relacionam-se revelando sua insatisfação e desejo de mudança, mas também sua impotência.”, observa Lazzaratto. 

No centro desse organismo uma chaminé, síntese desse poder que queima e espalha com sua fumaça sua verdade e ambição, é o lugar, o escritório, o altar, a plataforma de Jorge, o grande senhor, que dali rege tudo. 

Sobre essa estrutura, imagens e vídeos são projetados revelando o absoluto controle de Jorge sobre o que acontece à sua volta, como se ali também fosse uma sala de operação e vigilância; mas também anteparo para vídeos com imagens críticas a esse poderio. 

Ao redor desse organismo metálico e tubular existe um espaço vazio, ermo, quase outra dimensão em que personagens misteriosas transitam buscando entender como interferir nas veias e artérias do organismo, visando sua transformação, cura, ou mesmo, fim. 

 

Serviço: 
Espetáculo Tectônicas 
Temporada presencial: Até 5 de dezembro 
Teatro do Sesi-SP, no Centro Cultural Fiesp 
Avenida Paulista, 1313 
Sexta e sábado, às 20h, domingo, às 19h. 
Ingressos gratuitos. Reservas pelo: www.sesisp.org.br/eventos 
Temporada online: no Youtube do Sesi-SP até 20 de dezembro