Iara, Abaré, Cacira e Xirú se aventuram para proteger os rios e o seu povo. Abaré, enviado por seu pai Xirú, inicia sua jornada por correntezas e turbulências para reencontrar sua irmã Iara e dar nova vida aos peixes e ao rio. Nesta trajetória, encontra seres de míticos da cultura ribeirinha como a Cobra Grande, o Cabeça de Cuia, as três Marias lavadeiras, Jaguarão e Pirarucu.
Água Doce trata da relação do homem com a água doce, dando destaque aos rios brasileiros, o espetáculo conta a história do mito da Iara e de outros seres folclóricos presentes na cultura das comunidades ribeirinhas.
50 min
Texto e Direção: Milene Perez e Wanderley Piras
Direção Musical e Trilha Sonora Original: Rogério Almeida
Atuação: Alef Barros, Geovana Oliveira, Milene Perez e Wanderley Piras
Bonecos: Adriano Castelo Branco
Cenografia: Wanderley Piras
Figurino: Milene Perez
Fotografia: Arô Ribeiro e Bruno Marques
Designer: Gabriel Bueno
Produção do Espetáculo: Geovana Oliveira
Produção Geral: Cia Da Tribo
A CIA DA TRIBO, grupo teatral paulistano fundado pelos artistas Milene Perez e Wanderley Piras, iniciou em 1996 o seu trabalho de pesquisa em teatro através de um estreitamento com a cultura popular. A sua linguagem cênica foi desenvolvida através do estudo de tradições populares, personalidades e corporeidades brasileiras. Histórias, músicas, danças e bonecos criados pelo povo em diversas regiões do país são investigados, apreendidos, recriados e trazidos à cena, construindo assim, uma teatralidade brasileira.
Os principais pontos de interface entre a cultura popular e a CIA DA TRIBO são:
• A improvisação, a brincadeira e o jogo;
• A diversidade rítmica, corporal e vocal;
• O mergulho no imaginário que envolve crianças e adultos;
• A troca e o contato inerente às manifestações populares que faz do público um coautor;
• O hibridismo que integra teatro, dança, música e artes visuais.
A CIA DA TRIBO como um grupo urbano nascido em uma megalópole, é permeada pelas necessidades e inquietações que isso provoca. A relação entre a cultura popular e a contemporaneidade ocorre a partir do diálogo entre realidades e estéticas distintas. O regional e o urbano, bem como o passado e o presente se encontram, atualizando as memórias e transformando as possibilidades desse fazer artístico.
Estar atento ao que acontece – ao que é urgente – e a partir de então contribuir para o fortalecimento de um pensamento crítico é uma premissa do trabalho do grupo.
As trocas e o diálogo são constantes no trabalho de criação e montagens da Cia – durante sua trajetória diversos artistas foram se integrando na proposta da Cia da Tribo, participando de vários espetáculos e projetos.
Em 2015, a Cia. passa a ter sede própria, A Casa da Ladeira - espaço de arte e cultura, localizada na Vila Brasilina, bairro da zona sul de São Paulo. Como espaço autônomo, A Casa da Ladeira vem construindo sua própria história ao longo dos anos. O espaço, um dos únicos do tipo na comunidade, é mantido pelos fundadores da Cia. e benefícios concedidos através das leis de incentivo à cultura. Por isso, as atividades desenvolvidas no espaço cultural são oferecidas gratuitamente à população. A dupla existência (espaço cultural e sede) tem demonstrado um potencial de grande importância: comunidade e artistas se apropriam deste espaço, compartilhando e intercambiando aprendizados e poéticas.
Embora possua um intenso laço com o território de sua sede, a atuação da Cia da Tribo ocorre de modo amplo por toda a cidade de São Paulo, seja em ruas, praças, parques, teatros ou espaços culturais.
Nesta caminhada pela cidade foi sendo constituído um público diverso que acompanha o trabalho da Cia da Tribo. Embora a maior parte dos espetáculos tenha as crianças e jovens como foco, não é possível restringir a atuação da companhia a este público. O teatro desenvolvido pelo grupo possui esta característica: não é apenas acessível a todos, mas instigante, gerando reações intensas e trocas com pessoas de diferentes idades.