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Erik Cardoso, do Sesi-SP, crava 6.49s e supera recorde de 17 anos nos 60m

Velocista alcança o 3º melhor tempo do mundo, garante índice para o Mundial Indoor e traduz em pista o impacto da biomecânica no desempenho esportivo

Velocista alcança o 3º melhor tempo do mundo, garante índice para o Mundial Indoor e traduz em pista o impacto da biomecânica no desempenho esportivo

 Por: Amanda Costa - Comunicação Regional
20/02/202611:41- atualizado às 14:47 em 20/02/2026

Crédito imagem Isabelle Perestrello - FFSTUDIO

O velocista Erik Cardoso, do Sesi-SP, estabeleceu o novo recorde sul-americano dos 60 metros rasos ao marcar 6.49s no Circuito Performance Short Track, realizado no Centro Olímpico de Treinamento e Pesquisa, em São Paulo. A marca supera o tempo que pertencia a José Carlos Moreira, o Codó, desde 2009, e coloca o brasileiro com a terceira melhor marca do mundo na temporada 2026.

O resultado tem um peso especial. No fim de janeiro, Erik já havia corrido 6.49 no Campeonato Brasileiro Indoor, em Bragança Paulista, mas o vento de 2,5 m/s acima do permitido impediu a homologação do recorde“Eu já sabia que era totalmente possível ele repetir essa marca. Em Bragança, ele fez 6.49s com vento acima do limite. Era questão de ajustar detalhes e esperar a oportunidade”, afirma o treinador de Atletismo do Sesi-SP, Darci Ferreira.

Na semifinal em São Paulo, Erik igualou o tempo. Na final, repetiu os 6.49, agora em condições válidas. “Quando vi o tempo no placar, fiquei extremamente feliz. Um recorde que durava cerca de 17 anos foi superado”, completa Darci.

Com o resultado, Erik também garantiu índice para o Campeonato Mundial Indoor, que será disputado em março, na Polônia. “Estou muito feliz e grato por tudo o que estou vivendo. Esses recordes são fruto de um trabalho sólido, feito com foco, força e fé. Agora é continuar treinando para chegar ao Mundial na melhor forma possível e, se Deus permitir, repetir essa marca”, diz o atleta.

 

Crédito imagem - Eric Sigaki

 

A evolução nos 60 metros reforça um ciclo consistente. Erik é também o recordista sul-americano e brasileiro dos 100 metros, com 9.93s, marca obtida no Troféu Brasil de 2025. Para a comissão técnica, o desempenho na prova curta impacta diretamente a temporada ao ar livre. “Melhorando essa primeira parte da corrida, que corresponde aos 60 metros, conseguimos uma base muito forte para os 100m. A ideia é fazer uma excelente temporada indoor e levar isso para o outdoor”, explica Darci.

A preparação inclui competições na Bolívia antes do Mundial: um meeting em Cochabamba, no dia 26, e o Campeonato Sul-Americano Indoor, no dia 28 de fevereiro.

Erik treina no Sesi desde a infância. “Sou aluno desde os 8 anos e atleta desde os 12. O Sesi faz parte da minha vida. Temos estrutura, equipe multidisciplinar e um ambiente que nos permite evoluir todos os dias”, afirma. Segundo Darci, o amadurecimento do velocista tem sido determinante. “Ele sempre foi responsável, mas hoje demonstra ainda mais foco e clareza sobre o que quer. Isso faz diferença no alto rendimento”.

 

Biomecânica como diferencial competitivo

Uma parte decisiva da evolução técnica de Erik está no acompanhamento em biomecânica esportiva, que permite analisar com precisão a saída do bloco, os ângulos de projeção do corpo, o tempo de contato com o solo e a aplicação de força a cada passada — variáveis determinantes para transformar potência em velocidade.

Biomecânica de Atletismo, Jerusa Petrovna Resende Lara, fornecendo instruções para o atleta Erik Cardoso

 

À frente desse trabalho está Jerusa Lara, responsável pelo acompanhamento biomecânico dos atletas do Programa SESI Esporte em Santo André. Em um cenário esportivo onde a função ainda é majoritariamente ocupada por homens, sua atuação reforça a presença feminina em áreas estratégicas da ciência aplicada ao esporte.

“Antes dos treinos e competições, fazemos todos os ajustes necessários e mostramos o que precisa ser melhorado, seja a postura no bloco, a maneira de correr ou a posição dos braços. Assim, quando chega a hora de competir, a ideia é que o atleta consiga transformar esses ajustes técnicos em desempenho”.

No dia a dia, o trabalho envolve filmagens em alta velocidade, medições ângulos articulares, tempo de reação, velocidade e aceleração. O cruzamento desses dados orienta intervenções técnicas específicas que impactam diretamente a fase de aceleração.

Erik reconhece essa influência no resultado. “A biomecânica tem papel fundamental na minha evolução. Com as análises, entendemos melhor como aplico força no solo, minha postura e a eficiência da corrida. Nos 60 e nos 100 metros, os detalhes fazem a diferença e, quando bem trabalhados, o desempenho evolui naturalmente”.

O recorde sul-americano é resultado de um processo contínuo de evolução, que alia dedicação diária do atleta a um modelo de preparação baseado em ciência do movimento, tecnologia e atuação multidisciplinar do Programa SESI Esporte.