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Pluralidades insulares leva ao Centro Cultural Fiesp acervo do BID pela primeira vez na América Latina

Com entrada gratuita, a mostra reúne, de 18 de março a 5 de julho, artistas de 26 países da região. A curadoria de Giancarlo Hannud e Julieta Maroni propõe um olhar sobre a diversidade de linguagens presentes na coleção do Banco Interamericano de Desenvolvimento, formada ao longo de sete décadas

Com entrada gratuita, a mostra reúne, de 18 de março a 5 de julho, artistas de 26 países da região. A curadoria de Giancarlo Hannud e Julieta Maroni propõe um olhar sobre a diversidade de linguagens presentes na coleção do Banco Interamericano de Desenvolvimento, formada ao longo de sete décadas

 Por: Sesi-SP
12/03/202614:14- atualizado às 14:17 em 12/03/2026

Kika Carvalho | Sem título | 2021| Brasil

 

Entre 18 de março e 5 de julho, a Galeria de Arte do Centro Cultural Fiesp (CCF) recebe a exposição Pluralidades insulares: arte latino-americana e caribenha no acervo do BID. É a primeira vez que a coleção do Grupo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) é reunida fora de sua sede, em Washington, nos Estados Unidos.

São 157 obrasdos 26 países mutuários do BID. E nomes consagrados, como Tomie Ohtake (Brasil), Olga de Amaral (Colômbia), Benito Quinquela Martín (Argentina), Diego Rivera (México) e Fernando de Szyszlo (Peru). Também está presente uma geração mais jovem de artistas que conquistou reconhecimento internacional mais recentemente, como Kika Carvalho (Brasil), Ad Minoliti (Argentina), Rember Yahuarcani (Peru), Claudia Casarino (Paraguai) e Sheena Rose (Barbados)., como Tomie Ohtake (Brasil), Olga de Amaral (Colômbia), Benito Quinquela Martín (Argentina), Diego Rivera (México) e Fernando de Szyszlo (Peru). Também está presente uma geração mais jovem de artistas que conquistou reconhecimento internacional mais recentemente, como Kika Carvalho (Brasil), Ad Minoliti (Argentina), Rember Yahuarcani (Peru), Claudia Casarino (Paraguai) e Sheena Rose (Barbados).

“Estamos colocando a arte do BID à disposição para o grande público. São 157 obras de 26 países pela primeira vez fora da sede do Banco”, afirmou o presidente do Grupo BID, Ilan Goldfajn. “No Grupo BID, consideramos a arte uma parte fundamental do desenvolvimento e da construção da produtividade e da prosperidade na América Latina e Caribe. A arte cria empregos, estimula inovação e une comunidades. É por isso que o Grupo BID é a única instituição multilateral com um grupo específico de Cultura, Arte e Coleções, usando a criatividade para destacar o talento e o potencial da região”, completou.

Com quase 2 mil obras, sobretudo da América Latina e Caribe, a coleção de arte do BID se formou ao longo das quase sete décadas de história da instituição, por meio de aquisições e iniciativas institucionais.

Na exposição iniciada por São Paulo, a presença brasileira, que inclui destaques como Victor Brecheret, é intencionalmente pontual. O objetivo é apresentar ao público obras de países e artistas ainda menos conhecidos por aqui.

Sete seções temáticas organizam a mostra: Territórios, Gentes, Geometrias, Abstrações, Religiosidade, Mulheres e História da coleção.

Mais do que uma tentativa de espelhar a realidade, a coleção do BID revela a evolução da construção da imagem da região. É, sobretudo, um convite ao diálogo intergeracional e inter-regional.

Paulo Skaf, presidente da FIESP e do SESI-SP, declara que é uma honra para o Centro Cultural Fiesp receber, pela primeira vez fora de Washington, o acervo do Banco Interamericano de Desenvolvimento: “A mostra destaca a diversidade da América Latina e reforça que desenvolvimento também é cultura”.

 

CURADORIA 

“Em suas primeiras décadas, a coleção concentrou-se, principalmente, em mestres modernos que tiveram papel decisivo na formação das tradições artísticas nacionais dos países membros. Com o tempo, esse olhar se ampliou para incluir artistas emergentes e fortalecer a representação de diferentes países e comunidades da América Latina e do Caribe”, explica Julieta Maroni, curadora responsável pela coleção no BID. “Hoje, a coleção procura refletir tanto os legados artísticos quanto o dinamismo da produção contemporânea”, completa.

Para Giancarlo Hannud, curador convidado a conceber com Julieta Maroni o recorte apresentado em São Paulo, um dos pontos de partida não poderia ser outro senão observar de que forma diferentes artistas latino-americanos aparecem representados na coleção.

 

Karen Miranda | Oferenda equatoriana no páramo
(da série Na boca do jaguar da montanha, todos são beija-flores) | Equador | 2020

 

O cuidado de não fixar definições orienta toda a construção do percurso. Em vez de organizar as obras por país ou período — solução que poderia sugerir uma coerência territorial artificial —, a curadoria propõe uma leitura fragmentada, assumindo as descontinuidades como parte constitutiva da região. “São pequenas ilhas na América dita latina, que muitas vezes não se conversam, mas coexistem”, diz Hannud. 

A imagem do arquipélago também sugere outra dimensão: dentro de cada país há múltiplas ilhas. Não existe uma única produção argentina, colombiana ou haitiana, assim como não existe uma única forma de ser latino-americano. Assim, ao olhar para o conjunto do acervo, o que emerge não é uma narrativa coesa, mas uma constelação de histórias, territórios imaginados, gestos artísticos e sensibilidades diversas.

 

RECORRÊNCIAS DO ACERVO

Entre as recorrências visíveis do acervo estão retratos e imagens que ajudaram a construir a memória visual de processos históricos no continente, as linguagens geométricas e abstratas que atravessaram o continente no pós-guerra, a presença expressiva de mulheres artistas e um conjunto de obras que dialoga com religiosidades e cosmologias diversas.

 

 

Fabián Diaz | Amazonas | 2014 | Colômbia

 

A geometria e a abstração ocupam um lugar expressivo no percurso. Associadas, em diferentes momentos, à ideia de universalidade e à utopia de uma linguagem capaz de transpor fronteiras, essas vertentes revelam inflexões próprias no contexto latino-americano. “Quando a geometria moderna entra na América do Sul, cada um assume um sotaque diferente”, comenta Hannud. O resultado é uma sucessão de traduções locais que desafiam qualquer noção de unidade estilística. 

Outro núcleo reúne obras que evocam narrativas religiosas, símbolos populares e universos fabulatórios. Sem recorrer ao exotismo, a curadoria destaca como a imaginação de realidades alternativas assume formas distintas. Bandeiras vodu, esculturas sacras, imagens simbólicas e personagens históricos reinventados apontam para experiências que dialogam entre si, ainda que marcadas por realidades e contextos diversos. 

A presença das mulheres artistas constitui um dos eixos da exposição. O recorte dialoga com debates contemporâneos sobre revisão historiográfica e com mudanças recentes na própria coleção. Segundo Julieta Maroni, esse movimento acompanha processos mais amplos na história das coleções de arte formadas ao longo do século XX. “Assim como ocorreu em muitas coleções estabelecidas naquele período, as primeiras aquisições refletiam padrões mais amplos do campo artístico”, explica. “Com o tempo, buscamos ampliar esse panorama, incorporando artistas cujas práticas contribuem, de forma decisiva, para compreender a história artística da América Latina e do Caribe”.

 

CULTURA E DESENVOLVIMENTO 

No plano institucional, a coleção do BID representa uma dimensão cultural da própria missão do banco na América Latina e no Caribe. “Enquanto o BID trabalha para melhorar a vida de milhões de pessoas na região, a coleção oferece uma plataforma complementar para destacar a capacidade criativa de nossas sociedades”, afirma Julieta Maroni. 

Segundo ela, a arte permite tornar visíveis as dimensões humanas e culturais do desenvolvimento. “Ela pode refletir transformações urbanas, mudanças sociais e as aspirações em constante evolução das sociedades”, explica. “Assim como a coleção, a mostra na Galeria de Arte do Centro Cultural Fiesp reforça a ideia de que desenvolvimento não se limita à infraestrutura ou às finanças, mas envolve também pessoas e vitalidade cultural.” 

Se o conceito de desenvolvimento é, por si, objeto de disputas e redefinições constantes, a arte ocupa nessa exposição um campo privilegiado que favorece refletir sobre suas ambiguidades. Entre certezas institucionais e provocações curatoriais, a mostra constrói um espaço de fricção produtiva. 

Longe de oferecer uma síntese definitiva, Pluralidades Insulares: arte latino-americana e caribenha no acervo do BID convida o público a habitar um território onde as categorias tradicionais deixam de operar com nitidez. O que é visivelmente compartilhado, sugere a exposição, talvez não seja um idioma, uma geografia ou mesmo uma narrativa comum, mas um modo de estar no mundo que se reinventa continuamente.

 

 

A arquitetura moderna do edifício Luís Eulálio de Bueno Vidigal Filho, sede da Fiesp — que também abriga o SESI, o SENAI São Paulo, o Ciesp e o Instituto Roberto Simonsen (IRS) —, o torna ponto de referência no skyline da cidade e permite a realização de inúmeras atividades que integram o Centro Cultural Fiesp à Avenida Paulista, incluindo a livre circulação em seu interior e o uso de espaços alternativos, como a esplanada e o foyer do Teatro do SESI-SP, para diferentes manifestações artísticas e culturais que surgem em sua programação diversificada. O Centro Cultural Fiesp é um importante equipamento de acesso à cultura mantido pela indústria paulista e administrado pelo SESI-SP; uma referência de qualidade e patrimônio cultural apreciado dos paulistanos. O SESI-SP é uma instituição que trabalha pela educação, onde a cultura é parte fundamental. Todas as ações e projetos desenvolvidos pela instituição tem como objetivo a formação de novos públicos em artes, a difusão e o acesso à cultura de forma gratuita, além da promoção da economia criativa nacional. 

 

O Grupo Banco Interamericano de Desenvolvimento (Grupo BID) é a principal fonte de financiamento e conhecimento para melhorar vidas na América Latina e no Caribe. É composto pelo BID, que trabalha com o setor público da região e facilita a atuação do setor privado; pelo BID Invest, que apoia diretamente empresas e projetos privados; e pelo BID Lab, que estimula a inovação empreendedora. 

 

 

 


Exposição Pluralidades Insulares: arte latino-americana e caribenha no acervo do BID

  • Período: 18 de março a 5 de julho | terça a domingo, 10h às 20h 

  • Local: Galeria de Arte do Centro Cultural Fiesp – Avenida Paulista, 1313 (em frente à estação de metrô Trianon-Masp) 

Entrada gratuita: não é necessário fazer reserva para conhecer a exposição 

Agendamentos de grupos e escolasccfagendamentos@sesisp.org.br 

 

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