Menu Site
 Por: Arlete Rodrigues Vasconcelos, Núcleo de Comunicação
20/03/2019 14:29 - atualizado às 08:23 em 03/07/2019

Foi lançado ontem, 19 de março, pela Organização das Nações Unidas (ONU), um relatório que demonstra que mais de 2 bilhões de pessoas não têm acesso à água potável e aos serviços de saneamento mais básicos. Enquanto isso, dados de 2018 também apontam para o aumento do consumo de água, seis vezes mais no último século; duas vezes mais rápido do que o crescimento da população mundial.

O que reduz ainda mais a água potável disponível para o uso são as desigualdades sociais, assim como os padrões de consumo, de grandes desperdícios e volumes de lixo produzidos, com destinação muitas vezes inadequada e reciclagem incipiente.

O plástico, por exemplo, tão presente em nosso dia a dia, acaba indo parar no meio ambiente, em lixões e oceanos, numa porcentagem em torno de 70%. Esta semana, uma baleia morta foi encontrada no mar das Filipinas, com assustadores 40 kg de plástico no estômago, entre sacas de arroz, sacolas de supermercado, sacolas de plantação de banana e sacolas plásticas em geral. O fato inédito impressionou até aos biólogos marinhos.

Mas não são vítimas somente as baleias, nós não estamos longe dessa realidade. Em 2017, um levantamento inédito da organização Orb Media mostrou que há microplástico na água da torneira de todo o mundo, inclusive no Brasil. Já em 2018, um estudo da Universidade Estadual de Nova York atestou que mesmo as águas engarrafadas continham partículas de plástico, encontradas em 93% da amostra.

O mote da campanha para o Dia Mundial da Água, 22 de março, em 2019, é #Water4All, #ÁguaParaTodos. Reconhecido internacionalmente como um direito humano, a diretora-geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), Audrey Azoulay declarou que “o acesso à água é um direito vital para a dignidade de todos os seres humanos”.

O foco de atenção não está somente na vida do planeta, mas no impacto na vida das pessoas. A população mundial já consome 1,7 “planetas”, que quer dizer a sua capacidade de recursos naturais.

“Orientações como tomar banhos mais curtos, reduzir o consumo de sacolas plásticas, procurar postos de reciclagem são instrumentos para conscientização sobre o compromisso de cada um para mudar o ritmo de consumo e o estilo de vida atual”, explica Claudia Moreira da Silva, analista de Responsabilidade Social do SESI-SP.

A analista complementa: “é responsabilidade também das empresas implementar um sistema de gestão ambiental, desenvolvendo e praticando políticas e metas ambientais sustentáveis”.

O desenvolvimento de novas tecnologias e de políticas públicas que auxiliem esse processo é fundamental. Segundo Emanuel Galdino, analista do SESI-SP e mestrando na área de Ciência, Tecnologia e Inovação pela Universidade Federal do ABC, a inovação tecnológica voltada para questões ambientais ainda precisa entrar na agenda empresarial brasileira, sempre pensando em produtos e soluções que reduzam o impacto ambiental e o consumo de recursos como água, energia e matéria-prima.

“Se analisarmos os dados da última Pesquisa de Inovação realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística vamos perceber que as empresas ainda inovam pouco pensando exclusivamente nessa pauta. Os números apontam que 41,8% das pesquisadas desenvolveram algum tipo de tecnologia benéfica ao meio ambiente. Dentro desse universo, apenas 19,5% mencionaram que suas inovações impactam na redução do consumo de água. Ou seja, a produção ainda está voltada para questões mercadológicas e as tecnologias ambientais ficam cada vez mais condicionadas à criação de políticas que orientem as empresas”, declara Galdino.

A norma ABNT ISO 14.001 de 2015 especifica requisitos para implementação e operação de um Sistema de Gestão Ambiental (SGA) nas organizações. Entre outros aspectos ambientais, leva em conta a educação e conscientização de seus funcionários e da comunidade de seu entorno.

Parte da família de normas da ISO 14000, a certificação “demonstra o comprometimento da empresa com práticas sustentáveis, assim como garante maior competitividade no mercado internacional”, finaliza Claudia.

A adoção da ISO vem aumentando no Brasil. Pesquisadores demonstram que, pós-certificação, há exemplos concretos de melhorias com a redução de desperdícios, o aproveitamento de materiais, a reciclagem e a redução no consumo de energia e água.

Conhecida mundialmente pela sigla ISO, a International Organization for Standardization é uma organização com sede em Genebra, na Suíça, norteada por três princípios: consenso, abrangência mundial e voluntariedade. No Brasil, a ISO é representada pela ABNT - Associação Brasileira de Normas e Técnicas.

Essas ações refletem em mudanças mais estruturais, com resultados que impactam até as próximas gerações e, quem sabe, com as mudanças de atitudes individuais e coletivas, o copo possa estar meio cheio.