Especialista do Sesi-SP explica como empresas podem evoluir da atuação reativa para uma gestão preventiva e integrada
Por: Sesi-SP
06/05/202611:57- atualizado às 12:02 em 06/05/2026

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A forma como as indústrias brasileiras conduzem a Segurança e Saúde no Trabalho (SST) ainda apresenta desafios importantes e, ao mesmo tempo, grandes oportunidades de evolução. Um dos principais problemas observados é o tratamento do tema de forma reativa, com foco exclusivo no cumprimento da legislação, sem integração estratégica ao negócio.
Esse modelo se reflete em práticas como treinamentos vencidos, gestão ineficiente de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), inspeções sem plano de ação e ausência de investigação estruturada de acidentes. Para reverter esse cenário, especialistas apontam a necessidade de investir em organização, metodologia e acompanhamento contínuo, com uma visão preventiva.
Mais do que normas e procedimentos, a segurança precisa se tornar parte da cultura organizacional. Quando isso acontece, o trabalhador deixa de ser apenas um cumpridor de regras e passa a atuar como agente ativo na prevenção de riscos.
Segundo Renato Canno, coordenador de Segurança do Trabalho do Sesi-SP, um caminho prático para as empresas avançarem nesse ponto é garantir consistência nas ações e clareza nos processos. “Ambientes organizados, com rotinas bem definidas e comunicação estruturada favorecem o engajamento e tornam o comportamento seguro algo natural no dia a dia”, afirma.

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A indústria também tem incorporado tecnologias avançadas para reduzir acidentes, especialmente em setores de alto risco. Entre as soluções mais utilizadas estão sensores, sistemas de intertravamento, monitoramento em tempo real, análise preditiva e gestão digital de permissões de trabalho.
Para Canno, o uso dessas ferramentas deve estar sempre conectado a processos bem estruturados. “A tecnologia precisa vir acompanhada de priorização por criticidade, tratativa de desvios, manutenção e treinamento. A ferramenta não substitui a gestão - ela potencializa”, orienta.
Nesse contexto, o uso de simuladores de realidade virtual tem ganhado espaço como ferramenta de treinamento. A tecnologia permite que trabalhadores pratiquem decisões críticas em ambientes controlados, com repetição e feedback imediato. “O melhor resultado aparece quando a simulação está integrada a um programa estruturado, com avaliação de desempenho e reciclagens periódicas”, complementa o especialista.

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Outra mudança importante é a inclusão da saúde mental na gestão de SST. As empresas têm integrado a avaliação dos Fatores de Risco Psicossociais Relacionados ao Trabalho (FRPRT) ao Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO), conforme diretrizes da NR-01 e sua relação com a NR-17.
Na prática, isso significa identificar riscos com base em escuta estruturada e evidências, definir medidas de prevenção e monitorar continuamente as ações - da mesma forma que já ocorre com riscos físicos e operacionais.
A padronização de processos é essencial, especialmente quando se trata de trabalhadores terceirizados. A ausência de controle sobre esse público ainda é uma das principais fragilidades nas empresas.

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“É fundamental que os terceiros estejam dentro do mesmo sistema de gestão, com exigência de capacitação, alinhamento às normas internas e acompanhamento contínuo”, orienta Canno.
Já em relação aos EPIs, a inovação tem trazido materiais mais tecnológicos, maior conforto e até integração com sensores. Ainda assim, o especialista reforça que o desafio continua sendo a gestão. “Controle de validade, uso adequado e rastreabilidade são essenciais para garantir a efetividade dos equipamentos”, destaca.
Para avançar em maturidade, o investimento mais estratégico está na gestão estruturada e contínua da segurança e saúde, iniciando por um diagnóstico claro e evoluindo com acompanhamento técnico periódico.
Canno resume a principal orientação: “Organizar rotinas, definir cronogramas, acompanhar indicadores e priorizar ações por criticidade traz previsibilidade, reduz acidentes e afastamentos e fortalece a produtividade”.
Mais do que atender à legislação, a Segurança e Saúde no Trabalho tem se consolidado como um fator estratégico. Empresas que investem em prevenção, organização e cultura de segurança reduzem riscos de autuações, aumentam a eficiência operacional e constroem ambientes mais seguros e sustentáveis, reforçando a competitividade no setor industrial.
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