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SESI-SP leva protagonismo estudantil e impacto social ao Mundial de Robótica em Houston

Quatro equipes representam o Brasil na FIRST Championship e mostram como a robótica transforma comunidades, amplia o acesso à educação e projeta futuros na ciência e tecnologia

Quatro equipes representam o Brasil na FIRST Championship e mostram como a robótica transforma comunidades, amplia o acesso à educação e projeta futuros na ciência e tecnologia

 Por: Elaine Casimiro e colaboração de Marcelo Ferrazoli, comunicação SESI-SP
28/04/202614:16- atualizado às 14:17 em 28/04/2026

Quatro equipes de robótica do SESI-SP já estão em Houston, nos Estados Unidos, onde representam o Brasil na etapa mundial da FIRST Robotics Competition (FRC), a FIRST Championship, realizada entre os dias 29 de abril e 2 de maio. Nessa modalidade, a delegação brasileira conta com sete equipes na disputa, que reúne mais de 360 times de 13 países.

Formadas por estudantes do Ensino Médio, as equipes projetam e constroem robôs de porte industrial, com até 56 quilos, preparados para enfrentar desafios de alta complexidade dentro da arena da FRC. Durante as partidas, as máquinas precisam executar tarefas com precisão, estratégia e agilidade, em um ambiente dinâmico e altamente competitivo.


Competição - crédito: Camila Carvalho SENAI-SP

 

Ao longo da temporada, os alunos vivenciam todas as etapas de um grande projeto de engenharia, da concepção e design à construção, programação e definição de estratégias de jogo. A experiência exige organização, planejamento e tomada de decisões em equipe, aproximando os jovens de situações reais encontradas em ambientes profissionais e tecnológicos.

Mais do que desempenho técnico, os estudantes levam ao mundial projetos sociais que traduzem o lema da robótica do SESI-SP: “muito mais do que robôs”. As iniciativas desenvolvidas pelos alunos ampliam o acesso à educação STEAM (Ciência, Tecnologia, Engenharia, Artes e Matemática) e impactam milhares de pessoas dentro e fora do Brasil.

 

 

 

Da Escola SESI SENAI Ipiranga/Brás, a equipe Robonáticos desenvolveu o projeto Gear Up, que nasceu a partir da criação de um robô movido à luz, produzido com materiais de baixo custo. “A gente viu a necessidade da nossa comunidade de trazer mais STEAM, já que, na época, as escolas não tinham muito acesso e a robótica era muito cara”, explica Sophia Lima, de 17 anos.

 


Equipe Robonáticos - crédito: Camila Carvalho SENAI-SP

 

Com custo aproximado de R$ 15, o robô foi apenas o ponto de partida. O projeto evoluiu para um material didático completo. “Criamos um manual com cinco módulos e mais de 15 projetos, que podem ser aplicados por professores e alunos em escolas e instituições”, detalha Helena Melo, de 16 anos.

A iniciativa já impactou mais de 113 mil pessoas no Brasil, México e Colômbia, com aplicação em escolas, hospitais e diversas instituições. Além disso, a equipe realiza a capacitação de professores, garantindo a continuidade das atividades de forma autônoma.

A expectativa para o mundial reflete a evolução da equipe ao longo da temporada. “Conseguimos evoluir bastante o nosso robô e também a nossa apresentação. Chegamos com uma expectativa grande de mostrar como o nosso trabalho cresceu”, afirma Lucas Carvalho, de 17 anos. Para ele, a experiência vai além da competição. “A robótica me mostrou que, com trabalho em equipe e dedicação, tudo é possível. Estar nesse mundial é algo que vai marcar minha vida para sempre.”

De Jundiaí, a equipe Megazord apresenta o projeto Woodie Flowers Box, que já alcançou 69 países em três anos. A iniciativa funciona por meio de uma rede de embaixadores, equipes ao redor do mundo que replicam as atividades em suas comunidades. “Conseguimos enviar o projeto até para a África e receber o retorno de crianças aprendendo e montando os próprios brinquedos. Isso mostra o alcance real do que fazemos”, conta Maria Eduarda Casemiro, de 17 anos.

 


Megazord apresentando o projeto social - crédito: Camila Carvalho SENAI-SP

 

Criado em 2019, o projeto promove o ensino prático e acessível de STEAM por meio de atividades manuais e uma cartilha interativa. Com foco na inclusão, a equipe também desenvolveu a Woodie Braille Box, versão adaptada para pessoas com deficiência visual. A iniciativa já chegou a escolas de cinco municípios paulistas e inclui também a capacitação de professores: Jundiaí, Várzea Paulista, Campo Limpo, Louveira e Itupeva.

Com apoio de patrocinadores, a equipe de Jundiaí levou infraestrutura tecnológica para escolas, incluindo impressoras 3D, canetas 3D e acesso à internet. Esse projeto rendeu à Megazord o Impact Award na etapa nacional, principal reconhecimento da FIRST para projetos sociais.

Para o técnico Rafael Capovila, a preparação é intensa e envolve diferentes frentes. “Na área mecânica, desenvolvemos um robô mais robusto e eficiente. Na área social, temos a expectativa de disputar novamente o prêmio de maior prestígio da FIRST, o Impact Award. O time está treinando de segunda a segunda.”

Ele destaca ainda que a robótica vai além da competição. “Não é só construir robôs. Os alunos desenvolvem comunicação, pensamento crítico e visão de futuro. Muitos seguem carreira em engenharia e tecnologia, levando esse aprendizado para a vida e para o mercado de trabalho, para indústria.”

Pela primeira vez no mundial, a equipe Stardust, da Escola SESI SENAI Limeira, celebra a conquista com entusiasmo e senso de propósito. “A gente sempre quis chegar a Houston e conseguimos. Foi algo único”, relata Luiz Felipe Dalfré, de 16 anos.

 


Projeto social da Stardust - crédito: Camila Carvalho SENAI-SP

 

Para ele, o impacto vai além da equipe. “Não é sobre prêmios, é sobre a vivência e sobre motivar outros estudantes. Queremos levar isso para nossa escola, para nossa cidade e para a sociedade como um todo.”

A equipe desenvolve o projeto Starbox, que busca ampliar o acesso à robótica em escolas públicas, especialmente após a inclusão do ensino de tecnologia na Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Já foram entregues mais de 50 kits gratuitos em duas escolas de Limeira e seis de Cordeirópolis, beneficiando mais de 500 alunos do ensino fundamental entre 4º e 5º ano.

“Identificamos que muitas escolas enfrentavam dificuldades por falta de recursos e capacitação. Criamos o Starbox para levar a robótica de forma acessível a todos”, explica Heloiza Claudino, de 17 anos.

Já a equipe Octopus, da Escola SESI SENAI Bauru, apresenta o Octobook, um material didático que utiliza recursos simples e acessíveis para ensinar conceitos de STEAM de forma prática.

“O diferencial é usar materiais como papelão para ensinar conceitos complexos de maneira simples. Isso permite que qualquer pessoa consiga aprender, independentemente do nível de conhecimento”, explica Beatriz de Souza Oliveira.

 


Equipe Octopus - crédito: Camila Carvalho SENAI-SP

 

O objetivo do projeto é democratizar o acesso à educação tecnológica. “Sabemos que muitas pessoas no Brasil não têm acesso à educação de qualidade. Por isso, buscamos transformar conteúdos difíceis em algo acessível e aplicável na prática”, conclui.

Unindo inovação, impacto social e protagonismo estudantil, os estudantes do Ensino Médio SESI-SP e SENAI-SP chegam ao mundial como representantes de uma educação que transforma realidades, dentro e fora das arenas de competição.

 

 

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