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Formação de professores exige prática, reflexão e compromisso social, afirmam educadoras

Ruth Arce e Selma Garrido Pimenta participaram de painel do IV Congresso Internacional de Educação Sesi-SP

Ruth Arce e Selma Garrido Pimenta participaram de painel do IV Congresso Internacional de Educação Sesi-SP

 Por: Alex de Souza, Sesi-SP
13/05/202611:56- atualizado às 11:56 em 13/05/2026

Formar professores para contextos escolares cada vez mais complexos requer aproximação entre teoria e prática, fomento à reflexão crítica e compreensão de que a docência é uma atividade coletiva e socialmente comprometida.

Essas foram algumas das considerações das professoras Ruth Arce e Selma Garrido Pimenta no painel “Residência Educacional e Estágio Supervisionado: a centralidade da prática na formação docente”, realizado na terça-feira (12/5) durante o IV Congresso Internacional de Educação Sesi-SP.


Selma Garrido Pimenta, professora titular sênior da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP).
Doutora em Educação pela PUC-SP e livre-docente em Didática pela USP. Atuou como coordenadora do
Programa de Pós-Graduação em Educação da FE-USP, 
diretora da unidade e pró-reitora de Graduação da USP.
Foto: Fiesp-Sesi

Para as especialistas, a formação docente precisa estar profundamente conectada à realidade da escola e às experiências cotidianas da profissão. E na avaliação de Ruth Arce, a prática não é um complemento da formação, mas seu núcleo central. “A prática é a espinha dorsal da formação docente. Está no centro e é o coração da profissão”, afirmou.

Ao abordar os desafios atuais da educação, ela destacou o impacto das crises emocionais pós-pandemia, a heterogeneidade das salas de aula e a necessidade de formar professores capazes de refletir criticamente sobre suas decisões cotidianas.

“Desde o momento em que o professor entra na escola, ele toma decisões o tempo todo. Isso exige uma formação sólida, reflexiva e conectada à realidade”, declarou.

A educadora também enfatizou que ensinar vai muito além da transmissão de conteúdos, sendo uma atividade profundamente humana e social. “A educação é um ato de justiça social, porque trabalha com sonhos, oportunidades e transformação de vidas”, disse.

Em sua fala, Selma Garrido Pimenta ressaltou a importância da articulação entre universidade e escola como condição essencial para qualificar a formação inicial docente. Segundo ela, o estágio supervisionado deve ser compreendido como espaço de investigação crítica da realidade escolar.

“O estágio não é apenas a prática, mas a teoria que estuda as práticas e permite compreender a complexidade do trabalho docente”, explicou.


Foto: Fiesp-Sesi

A pesquisadora também chamou atenção para a necessidade de fortalecer políticas permanentes de formação e garantir experiências formativas articuladas ao dia a dia das escolas públicas. “O ensino é um trabalho coletivo. Nenhum professor garante sozinho uma educação de qualidade sem o apoio do coletivo escolar”, afirmou.

Outro ponto observado por Selma foi a preocupação com modelos educacionais excessivamente padronizados e mediados por plataformas externas à escola. “Não podemos substituir a capacidade crítica e reflexiva dos professores por plataformas que transformam o docente em mero transmissor de conteúdos”, alertou.


Foto: Fiesp-Sesi

Nesta quarta edição, o Congresso Internacional de Educação do Sesi-SP tem como tema “Educação que transforma”. A programação do evento reúne pesquisadores, gestores, professores e estudantes para discutir práticas pedagógicas, inovação e políticas educacionais voltadas à construção de uma educação mais inclusiva, crítica e socialmente relevante. Saiba mais sobre o Congresso

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