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Como reduzir índice de alunos não alfabetizados

Gestão colaborativa e formação continuada de professores são caminhos a serem seguidos

Gestão colaborativa e formação continuada de professores são caminhos a serem seguidos

 Por: Karina Costa, comunicação Sesi-SP
19/09/202318:59- atualizado às 09:34 em 16/10/2023

Não é de hoje que os índices educacionais brasileiros apontam para a urgência de ações efetivas a fim de aplacar atrasos na alfabetização. Para citar um de vários dados públicos sobre a temática, o Ministério da Educação anunciou recentemente que 56,4% das crianças brasileiras não estão alfabetizadas (considerando apenas os estudantes do 2º ano do ensino fundamental, em 2021). Em um dos debates do segundo e último dia do I Congresso Internacional de Educação Sesi-SP, gestão colaborativa e formação continuada de professores foram caminhos apontados para que a educação avance. 

Para Fernando Abrucio, professor e pesquisador da Fundação Getúlio Vargas, no entanto, a mobilização precisa acontecer com ações desde a primeira infância. “No Brasil, 70% dos municípios não têm esse plano. Para mudar, se faz necessária a ajuda da esfera pública estadual e um trabalho articulado, em regime de colaboração”, afirma. “Saúde, assistência social, família, todos devem ser parte dessa governança. Feito isso em larga escala, significa que em 10 anos teremos entre 80% e 90% de alunos alfabetizados na idade certa”, pontua.

 

Fernando Abrucio, professor e pesquisador da Fundação Getúlio Vargas
Imagem divulgação Ayrton Vignola

 

O especialista citou como experiência bem-sucedida de alfabetização no Brasil o plano de educação da cidade de Sobral, no interior do Ceará. O reflexo da atuação iniciada na década de 1990 são as notas 8,8 (em 2015), 9,1 (2017) e 8 (2021), apenas para exemplificar, quando avaliados estudantes dos anos iniciais (1º ao 5º ano) do município no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). 

Se é com o professor que a criança aprende, eles foram lá e formaram professores”. Com qual metodologia de ensino? Todas possíveis, segundo o especialista. “O que importou foi a preparação e as condições de trabalho”, comentou Abrucio. Também investiram em lideranças escolares, ou seja, diretores que mobilizam seus pares. “Tudo isso pautado em um estudo efetivo para implantação das estratégias”.

 

Fernando Abrucio, professor e pesquisador da Fundação Getúlio Vargas
Karina Stefanin, supervisora de avaliação educacional do Sesi-SP
Laor Fernandes de Oliveira, gerente de projetos educacionais do Sesi-SP
Imagem divulgação Ayrton Vignola

 

Hoje, todos os municípios do Ceará fazem parte desse planejamento, que inclui ainda incentivos fiscais e o prêmio Escola Nota 10. “As escolas com melhores resultados devem disseminar suas práticas e apoiar as escolas com baixo desempenho. Esse é um verdadeiro pacto pela educação, iniciado via poder público, mas o sucesso veio da soma dos grupos que se mobilizaram. Educação não é atividade solitária, de heróis, é coletiva”. 

Atualmente, o estado do Ceará tem o melhor resultado do Ideb nos anos iniciais (Ensino Fundamental 1). “Saíram em 10 anos da 13ª posição para a 1ª, e lá permanecerão por pelo menos os próximos 10 anos”, prevê. O especialista destacou que a equidade também está refletida nesses resultados. “Meninos ou meninas, brancos ou negros, todos avançaram”.

 

Sesi-SP escala suas experiências educacionais para ensino público paulista

 

Em sua participação na mesa redonda “Gestão Educacional e Capital Humano: experiências de sucesso na alfabetização no Brasil”, Laor Fernandes de Oliveira, gerente de projetos educacionais do Sesi-SP, esmiuçou a estratégia de evolução da alfabetização via gestão participativa e formação de educadores destacada por Abrucio, e acrescentou à discussão que os resultados aparecem quando professores são escutados, lideranças se dedicam às suas competências pedagógicas, e projetos e métodos de ensino se adequam à realidade de cada escola.

 

 

Laor Fernandes de Oliveira, gerente de projetos educacionais do Sesi-SP
Imagem divulgação Ayrton Vignola

 

Professores não deveriam ser cobrados por baixo conhecimento numérico dos estudantes, quando a estratégia é priorizar alfabetização em língua portuguesa, nem gestores deveriam abrir mão do pedagógico para resolver questões administrativas”, exemplifica. Ele lembra ainda, que, melhorias de infraestrutura precisam ser garantidas antes de serem feitos investimentos em inovações tecnológicas. “É importante inovar com aplicativos e jogos, mas a escola tem internet boa? O professor será formado para utilizar esses recursos? Esse investimento está de acordo com a proposta de alfabetização, por meio do plano de trabalho docente?”, questiona. 

Também pautando suas indagações em projetos efetivos, o especialista citou a experiência do município paulista de São Pedro do Turvo, que desde 2017 aplica a metodologia de ensino do Sesi-SP, da educação infantil ao Ensino Fundamental 1. A parceria resultou no aumento do Ideb de 6,3 (2015), para 7,5 (2017) e 7,7 (2019). “Foi possível com ações simples, rotineiras, como grupos de estudos para atingir alunos com baixo rendimento, com a coordenação pedagógica acompanhando a formação de professores”, exemplificou. 

Para além de sua rede de ensino particular, composta por 142 escolas, presentes em 112 municípios paulistas, Laor lembra que o Sesi-SP tem desprendido grande esforço para colaborar com a educação pública paulista por meio do Sesi para Todos, composto por programas gratuitos voltados, principalmente, para a formação de professores e gestores. “Há mais de 70 anos levantamos a bandeira da educação, mas é importante lembrar que ainda é preciso que outras estruturas colaborem para que a alfabetização ocorra. A desigualdade educacional é desafio a ser superado por todos e requer trabalho colaborativo”, conclui.

 


I Congresso Internacional de Educação SESI-SP
Oportunidades na Educação Contemporânea

Datas: 18 e 19 de setembro de 2023

Mais informações em https://congressosesisp.com.br

Programação detalhada em https://congressosesisp.com.br/programacao

 


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