Projeto une ciência e esporte para aprimorar a performance dos atletas da equipe, uma das mais fortes do país nas provas de velocidade
Por: Amanda Costa - Com informações da Agência SP
11/03/202608:55- atualizado às 10:25 em 11/03/2026
Dispositivo foi testado com equipe de atletismo do Sesi – Foto: Felipe Medeiros/Jornal da USP
O atletismo do SESI-SP segue investindo em inovação para potencializar o desempenho de seus atletas. Em Ribeirão Preto (SP), integrantes da equipe participaram de testes de uma nova tecnologia voltada à análise da largada em provas de velocidade, etapa decisiva em corridas como os 100 e 200 metros rasos.
A iniciativa integra uma parceria entre pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e as equipes olímpicas e paralímpicas de atletismo do SESI-SP, com o objetivo de aproximar ciência e treinamento de alto rendimento. A proposta é transformar o bloco de partida tradicional em uma ferramenta tecnológica capaz de medir, em tempo real, a força aplicada pelos atletas e o tempo de reação ao disparo.
O sistema foi desenvolvido na tese de doutorado de Moser Zeferino Vicente José, sob orientação do professor Paulo Roberto Pereira Santiago, da Escola de Educação Física e Esporte de Ribeirão Preto (EEFERP/USP). A tecnologia consiste em um taco de partida instrumentado com células de carga que registram a força exercida pelos pés durante a saída, momento crucial nas provas de velocidade.
Os sensores instalados no bloco captam essas informações, que são processadas por um microcontrolador e enviadas via Bluetooth para um aplicativo. O software exibe gráficos e indicadores em tempo real, permitindo que treinadores e atletas visualizem dados como intensidade da força e tempo de reação. Assim, ajustes técnicos podem ser feitos imediatamente na pista.
Dispositivo desenvolvido na USP que auxilia a análise da largada no atletismo – Foto: Felipe Medeiros/Jornal da USP
Para o coordenador de desenvolvimento do esporte do SESI-SP, Yuri Ventura, a parceria com a universidade fortalece a preparação da equipe. “Estamos buscando soluções tecnológicas que contribuam diretamente para a evolução da performance dos nossos atletas. Essa aproximação com a universidade nos permite acessar conhecimento e ferramentas que qualificam ainda mais o treinamento, atendendo aos desafios da temporada e fortalecendo o desenvolvimento para os próximos ciclos do esporte, incluindo as competições do ano e o ciclo olímpico rumo a 2028”, conta.
A biomecânica do SESI-SP, Jerusa Lara, destaca que a integração entre ciência e treinamento permite compreender com mais profundidade os movimentos dos atletas. “A biomecânica busca entender o gesto esportivo com base em dados, analisando fatores como força, ângulos e aceleração. Quando conseguimos medir o que acontece na largada, por exemplo, fica mais fácil identificar pequenos ajustes na postura ou na aplicação de força que podem impactar diretamente na velocidade e no desempenho do atleta”, explica.
Já a treinadora Maria Rosana Soares reforça que a ferramenta representa um avanço no acompanhamento do desempenho. “A análise de dados permite trabalhar de forma direta pontos como o tempo de reação e a força aplicada no bloco. Se o atleta não estiver empurrando corretamente, isso aparece nos dados e facilita ajustes específicos durante o treinamento”.
A tecnologia foi testada por atletas das equipes olímpica e paralímpica do SESI-SP, incluindo o grupo de velocidade do SESI Santo André. Entre os participantes está o velocista Erik Felipe Barbosa Cardoso, recordista brasileiro e sul-americano dos 100 metros rasos, que destaca o impacto da inovação no treinamento. “Na corrida de velocidade, a saída faz muita diferença. Com esse sistema conseguimos visualizar a força aplicada e o tempo de reação. A tecnologia mostra onde estão os erros e ajuda os treinadores a planejarem treinos mais direcionados”.
Pesquisadores, treinadores e atletas ligados ao projeto – Foto: Felimpe Medeiros/Jornal da USP
Além de aprimorar a rotina de treinos, o projeto contribui para a produção de conhecimento científico na área de desempenho esportivo. A expectativa é que os dados gerados sirvam de base para futuras pesquisas, fortalecendo a relação entre universidade e esporte de alto rendimento.
Após os ajustes finais, o sistema deve integrar permanentemente o cotidiano da equipe de atletismo do SESI-SP, reforçando o compromisso da instituição com a inovação e com a preparação de atletas para competições nacionais e internacionais.
Criado em 2009 (olímpico) e 2011 (paralímpico) | Equipes base na unidade de Santo André
No SESI-SP, o atletismo olímpico e paralímpico compartilham a mesma estrutura de treinamento na unidade de Santo André, promovendo valores como inclusão, superação e a Pedagogia do Exemplo. Desde sua criação, as equipes vêm crescendo e revelando talentos, com atletas competindo nas categorias Sub-16, Sub-18, Sub-20 e Desempenho, tanto no feminino quanto no masculino.