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Variante Ômicron alerta para riscos de afastamentos no trabalho

Apesar de menos mortal, nova cepa tem taxa de transmissão três vezes mais elevada que a Delta, o que pode impactar em mais hospitalizações

 Por: William Saab - Sesi-SP
06/01/202218:08- atualizado às 17:12 em 11/01/2022

Ainda em estudo sobre os reais impactos na saúde brasileira, a variante Ômicron, cepa do Coronavírus que tem causado alta nos casos no hemisfério norte, tem alertado especialistas sobre os afastamentos que ela pode causar no ambiente de trabalho. A apreensão se justifica pois, embora cause menos mortes, a transmissão é até três vezes mais alta do que a variante Delta, que já era uma das doenças mais contagiosas que se teve notícias. Casos na Europa, que vive a temporada de inverno, mostram que os países que têm testagem em massa identificam que, a cada três dias, dobra o número de infectados.

O coordenador de saúde ocupacional do SESI-SP, José Miranda, reforça que os cuidados precisam ser redobrados porque, apesar do número de óbitos ser menor, a variante pode trazer impactos sociais e econômicos para o país, repetindo o cenário de afastamentos e desemprego vistos em períodos de 2020 e 2021. Atualmente, em São Paulo, 20% dos leitos de UTIs para Covid-19 estão ocupados, um aumento em relação às últimas semanas e um indício para quando os meses mais frios do ano chegarem. Com a vacinação infantil estagnada, muitos pais ainda poderão se ausentar para cuidar dos filhos doentes.

“O que preocupa é que a Ômicron não substitui a variante Delta, elas passaram a coexistir. E tem ainda o agravante de estarmos com a H3N2 (Darwin), que tem aumentado os casos sintomáticos de gripe”, atenta-se o médico. “O alerta fica para quando muitas pessoas estão sintomáticas ao mesmo tempo, especialmente se tratando de uma variante que se replica de forma muito rápida. Mesmo que ela tenha uma chance menor de causar hospitalizações, aplicada a um denominador grande, pode levar ao aumento de internações” explica.

O impacto socioeconômico também é um risco. Nos Estados Unidos, as companhias aéreas têm cancelado até mil voos por dia devido ao aumento da transmissão da doença pelos trabalhadores aeroportuários, o que impacta na operação de todo tráfego. “Esse cenário pode se repetir no Brasil se a taxa de vacinação da dose de reforço contra a Covid-19 não avançar até o inverno”, reforça Miranda, que detalha que trabalhadores que não possuem condições de fazer home office terão que se ausentar das atividades diárias. “O que as pesquisas já mostraram é que esta dose eleva para perto de 89% a eficácia da vacina para casos sintomáticos”, esclarece o médico, que reforça ainda a importância de se imunizar também contra a gripe, já que as vacinas para a doença já estão atualizadas para combater a nova cepa.

 

Programa de testagem ajuda no controle

Implementar um programa de testagem em massa para os colaboradores é uma forma de identificar quem deve se ausentar e quem segue nas atividades presenciais. Para tanto, divide-se o protocolo em dois grupos: em sintomáticos, nos casos em que existe suspeita de ser Covid-19, e em triagem, para identificar aqueles sem sintomas. “Faz-se de forma randômica, especialmente na população que se expõe mais, como quem usa transporte coletivo ou quem está na linha de operação sem distanciamento de outros profissionais, como em frigoríficos”, explica Miranda.

Esse cuidado reduz a taxa de transmissão na empresa e também na comunidade e serve de critério para a interrupção da quarentena, já que o médico pode autorizar o retorno ao trabalho presencial. “Esse esforço passa a ser um investimento, pois apesar de se pagar pelo teste, o profissional volta às atividades e ainda encontra um ambiente laboral mais seguro”, explica.

De acordo com a portaria número 20 do Ministério da Saúde, cuja última atualização data de julho de 2020, ainda vale a regra de 14 dias de afastamento independentemente da situação vacinal, mas esse intervalo pode ser menor. A recomendação do Centers for Disease Control and Prevention (CDC), órgão americano equivalente à pasta brasileira, é de que trabalhadores já podem retornar em cinco dias caso estejam assintomáticos para a doença. A agência também informou que, aqueles que estão com a dose de reforço e tiveram contato com contaminados, não precisam ficar em quarentena caso não apresentem sintomas, mas reforçou a necessidade das máscaras e demais cuidados.

Vale lembrar que a Covid-19 foi a principal causa de afastamentos do trabalho por mais de 15 dias e gerou o maior número de benefícios por incapacidade temporária (antigo auxílio-doença) nos meses entre janeiro e julho de 2021. Em 2020, a doença já havia sido o terceiro principal motivo do benefício por incapacidade temporária.

 

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