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Pela primeira vez no Brasil, exposição “Mundo Pequeno” traz olhar irônico de Martin Parr sobre o turismo mundial

Mostra chega ao Centro Cultural FIESP 31 anos após estrear em Londres, meses depois da morte do fotógrafo britânico

Mostra chega ao Centro Cultural FIESP 31 anos após estrear em Londres, meses depois da morte do fotógrafo britânico

 Por: Isabella Oliveira, SESI-SP
02/10/202614:50- atualizado às 15:05 em 02/10/2026


Martin Parr/Magnum Photos . Veneza, Itália, 2005 

Pela primeira vez no Brasil, a exposição Mundo Pequeno traz ao país o olhar irônico e crítico do fotógrafo britânico Martin Parr sobre o comportamento dos turistas ao redor do mundo. A exposição Mundo Pequeno (Small World) brinca com o turismo de massa, o consumo e a nossa obsessão em produzir provas de que estivemos ali, não importa onde "ali" seja. A mostra ocupa o Centro Cultural FIESP a partir de 15 de outubro, com curadoria de João Kulcsár, responsável por trazer o projeto ao país.

Sob a curadoria de Kulcsár, Mundo Pequeno transforma cenas aparentemente banais do turismo em retratos de uma sociedade que viaja, consome, registra e reproduz experiências em escala global. Monumentos, praias, multidões e pontos turísticos se tornam joias para um olhar lapidado pelo humor e crítica.

O turismo contemporâneo, sugere Parr, transforma a experiência de viajar em performance. Existe algo de universal nisso: basta atravessar a fronteira do próprio país para assumir, instantaneamente, a condição de turista e tudo o que ela carrega; o roteiro, a pose e a pressa em fotografar antes de simplesmente estar.

Parr captava essas situações com uma precisão particular. O espectador ri antes mesmo de perceber que está rindo de si próprio. A crítica chega alguns segundos depois, ainda mais afiada em um tempo de overposting, em que viajar também se tornou uma performance a ser publicada.


Martin Parr/Magnum Photos - Mona Lisa no Louvre, Paris, França, 2012

Produzida a partir do fim dos anos 1980, a série foi publicada em livro pela primeira vez em 1995. Nas décadas seguintes, Parr manteve o projeto em constante atualização, acompanhando os novos fenômenos do turismo a cada nova edição. A mais recente, de 2026, foi preparada pelo fotógrafo pouco antes de sua morte. Ao todo, a série já passou por mais de 25 países. No Brasil, a mostra reúne 45 fotografias que percorrem essa trajetória, incluindo imagens mais recentes da 6ª edição do livro. A exposição também expande o projeto para além das fotografias, com projeções, fotolivros e ativações interativas que convidam o público a circular entre contemplação, humor e reflexão, tornando-se também ele próprio personagem. 

A relação de Kulcsár com a obra começou em 1996, quando viu Mundo Pequeno pela primeira vez em Edimburgo, na Escócia, experiência que, segundo ele, mudou sua própria maneira de fotografar em viagens. Ao longo dos anos, a admiração se transformou em amizade: Kulcsár e Parr se encontraram diversas vezes, inclusive em São Paulo, onde o curador levou o fotógrafo a lugares como um forró para fotografar a cidade com seus próprios olhos. 

"Martin sempre foi um dos meus fotógrafos preferidos, por isso ter podido conviver um pouco com ele foi algo muito especial", conta Kulcsár, que planejava trazer a exposição ao Brasil desde que a viu, um desejo que levou trinta anos para se concretizar. 

Para o curador, a força do trabalho de Parr estava na capacidade de flagrar o extraordinário dentro do banal. "Ele não precisava criar uma situação para que ela se tornasse interessante. Um gesto, uma roupa, uma comida, a maneira como alguém se posicionava diante de um monumento, um grupo de turistas repetindo o mesmo comportamento... Ele percebia pequenas contradições do cotidiano e sabia transformá-las em imagens muito potentes.”


Martin Parr/Magnum Photos - Torre de Pisa, Itália 1990

Martin Parr faleceu em dezembro de 2025, aos 73 anos. Membro histórico da agência Magnum Photos desde 1994, foi presidente da instituição entre 2013 e 2017. Sua morte transformou o significado do projeto que Kulcsár vinha construindo com ele. "Depois da morte dele, parei o projeto por um período. Fiquei realmente tocado pela perda e me perguntei se ainda fazia sentido continuar", relembra. "Com o tempo, entendi que deveria seguir. Mundo Pequeno é um dos trabalhos fundamentais da trajetória de Martin, e trazer essa exposição ao Brasil, pela primeira vez, passou a ser também uma forma de homenageá-lo.”


Martin Parr/Magnum Photos - Chichén Itzá  México, 2002

Um dos pontos altos da mostra ultrapassa as paredes da galeria: a instalação de uma praia artificial na Esplanada do CCF, em plena Avenida Paulista, uma cidade sem litoral ganhando, por alguns meses, sua própria "praia" turística. 

A intervenção desloca para o espaço público uma das questões centrais da obra de Parr: a transformação do lazer, da viagem e da experiência em produtos de consumo e imagens a serem compartilhadas. "Martin era muito aberto a novas leituras de seu trabalho, isso permitiu estabelecer um diálogo com o Brasil e com o nosso tempo, vamos ver isso na expografia, com a 'praia' e a interatividade, por exemplo", conta Kulcsár. 

“Martin Parr é um dos fotógrafos que melhor souberam transformar o cotidiano em uma leitura crítica e, ao mesmo tempo, profundamente humana do nosso tempo. Seu olhar sobre o turismo, o consumo e os comportamentos sociais reafirma a potência da fotografia como linguagem capaz de documentar, provocar e produzir pensamento. Receber Mundo Pequeno traduz o posicionamento que buscamos para o Centro Cultural FIESP: uma programação de excelência, conectada à produção internacional e capaz de ampliar repertórios e estabelecer diálogos relevantes com o presente”, afirma Tais Lara, diretora do Centro Cultural FIESP. 
 
A exposição também convida o público a virar, literalmente, personagem da própria mostra. Os visitantes poderão fotografar cenas de turismo, na "praia" da Esplanada ou pela cidade, e publicar com a hashtag #parrmundopequeno. As imagens selecionadas pelo curador serão exibidas em um dia especial na TV da galeria, transformando o público em coautor do olhar que Parr passou décadas registrando. 


Martin Parr/Magnum Photos Praia de Copacabana, Rio de Janeiro, Brasil, 1996

 

Sobre o SESI-SP 

O SESI-SP oferece atividades culturais gratuitas em linguagens como música, artes cênicas, artes visuais, audiovisual e difusão literária. Juntas, as atividades promovidas já alcançaram quase 20 milhões de pessoas. São 19 teatros, sete centros culturais, oito espaços de exposição, três estações de cultura, 95 núcleos para iniciação e formação de pessoas nas áreas de música, teatro, dança e circo, além de uma unidade móvel que percorre todo o estado. Em 2026, mais três teatros e três centros culturais devem ser inaugurados. 

A entidade reforça seu compromisso de oferecer ao público uma programação diversa, contundente e sempre gratuita, alinhada aos aspectos sociais e artísticos da contemporaneidade. O SESI-SP também atua na área de produção cultural, impulsionando a economia criativa e contribuindo para o aperfeiçoamento artístico. Em 2024, a instituição comemorou seis décadas de história, cultura e inovação de um de seus mais importantes projetos de democratização do acesso à cultura: o Teatro do SESI-SP, palco de espetáculos marcantes ao longo das últimas décadas.

 

Sobre o Centro Cultural FIESP 

A arquitetura moderna do edifício Luís Eulálio de Bueno Vidigal Filho, sede da FIESP – que também abriga o SESI, o SENAI São Paulo, o CIESP e o Instituto Roberto Simonsen (IRS) –, o torna ponto de referência no skyline da cidade e permite a realização de inúmeras atividades que integram o Centro Cultural FIESP à Avenida Paulista, incluindo a livre circulação em seu interior e o uso de espaços alternativos, como a área externa e o foyer do Teatro do SESI-SP, para diferentes manifestações artísticas e culturais da sua programação diversificada. O Centro Cultural FIESP é um importante equipamento de acesso à cultura mantido pela indústria paulista e administrado pelo SESI-SP; uma referência de qualidade e patrimônio cultural apreciado dos paulistanos. O SESI-SP é uma instituição que trabalha pela educação, onde a cultura é parte fundamental. Todas as ações e projetos desenvolvidos pela instituição tem como objetivo a formação de novos públicos em artes, a difusão e o acesso à cultura de forma gratuita, além da promoção da economia criativa nacional. 

 


Mundo Pequeno (Small World) – Martin Parr 
 
Local: Centro Cultural FIESP | Av. Paulista, 1.313 – São Paulo/SP (em frente à estação Trianon-Masp do metrô) 
Visitação: 15 de outubro de 2026 a 4 de abril de 2027 
Horário de funcionamento: terça a domingo, 10h às 20h 
Curadoria: João Kulcsár 

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