Com oito equipes e 32 estudantes, delegação paulista conquista os três primeiros lugares da principal premiação da competição, além de dois prêmios especiais, com projetos de inovação voltados à preservação da biodiversidade
Por: Elaine Casimiro, SESI-SP
18/10/202612:28- atualizado às 12:55 em 18/10/2026
O SESI-SP fez história na primeira edição mundial da LEGO Future Edition, realizada no sábado (17/10), no Ginásio Educacional Olímpico Isabel Salgado, no Rio de Janeiro. Na estreia da modalidade, as equipes da instituição conquistaram os três primeiros lugares da Champions Award, principal premiação da competição, além de dois prêmios especiais.
A Red Rabbit, da Escola SESI Americana, conquistou o primeiro lugar; a Blue Birds, também da Escola SESI Americana, ficou com a segunda colocação; e a Biotech, da Escola SESI Barra Bonita, garantiu o terceiro lugar. A delegação da indústria paulista também recebeu os prêmios especiais de Design de Engenharia, com a SESI Harpies, da Escola SESI Osvaldo Cruz, e de Performance no Jogo, com a equipe Blue Bird.

Equipes Blue Birds, Red Rabbit e Biotech
Foto: Camilla Carvalho/SESI-SP
Ao todo, 20 equipes de diferentes estados brasileiros participaram do torneio, sendo oito representantes do SESI-SP. A delegação reuniu 32 estudantes do ensino fundamental II, que tiveram a oportunidade de vivenciar os desafios dessa nova modalidade da LEGO, voltada à educação em robótica, ciência da computação, inteligência artificial e às áreas STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática).
Lançada pela LEGO Education, a LEGO Future Edition representa uma nova evolução do programa educacional global, incentivando os estudantes a aplicar conhecimentos científicos e tecnológicos na construção de soluções para desafios do mundo real.
A conquista do SESI-SP na estreia mundial reforça o compromisso da instituição com a inovação e com uma educação que prepara os jovens para investigar problemas, desenvolver projetos, trabalhar em equipe e transformar ideias em soluções.
“É a primeira LEGO League Future do mundo. Pensando sempre na inovação tecnológica, o SESI-SP tem o compromisso com a vanguarda na educação e viemos prestigiar esse primeiro evento da LEGO Future. Para nós, é uma conquista muito grande saber que todo o trabalho desenvolvido nas nossas escolas continua refletindo nos nossos estudantes, mesmo quando novos desafios surgem”, afirma Caio Camargo, supervisor técnico educacional do Centro de Inovação Educacional do SESI-SP.
Foto: Camilla Carvalho/SESI-SP
Segundo o supervisor, a ampliação das oportunidades de aprendizagem é uma das estratégias da instituição para desenvolver diferentes competências nos estudantes.
“Nos últimos três anos, o SESI procurou diversificar suas modalidades. Hoje, temos um portfólio de 11 modalidades que desenvolvem as mais diversas habilidades dos nossos estudantes. Assim, conseguimos trabalhar as competências STEM com alunos dos mais diferentes perfis”, destaca Caio.
A dimensão histórica da competição também foi ressaltada por Troels Dyhrman, gerente de parcerias da LEGO Education. Para ele, a realização do torneio no Brasil representa um marco para a modalidade.
“Aqui no Brasil, no Rio de Janeiro, estamos escrevendo um pequeno capítulo da história da robótica. Isso porque hoje realizamos o primeiro evento mundial da LEGO Future Edition nesse formato oficial. Parabéns a todas as equipes da Future Edition! Estamos fazendo história no mundo”, afirma.
Foto: Camilla Carvalho/SESI-SP
Ciência e tecnologia a serviço da biodiversidade
A competição integra a temporada FIRST Canopy 2026/27, que tem a biodiversidade como tema central. Os desafios incentivam os participantes a desenvolver projetos relacionados à proteção e ao monitoramento ambiental, utilizando conhecimentos científicos, engenharia e programação para propor soluções sustentáveis.
Com a temática “Biology”, os estudantes do ensino fundamental II são convidados a explorar conceitos biológicos e ecossistemas complexos como inspiração para desenvolver tecnologias capazes de contribuir com a preservação da natureza.
Foi nesse contexto que as equipes do SESI-SP apresentaram projetos voltados ao monitoramento da saúde das plantas, à recuperação de áreas naturais e à coleta sustentável de sementes. As propostas demonstram como a robótica educacional pode aproximar os jovens de questões ambientais e estimular a busca por respostas para problemas reais.
Red Rabbit: tecnologia para identificar doenças nas plantas precocemente
1º lugar da Champions Award — Escola SESI Americana
A equipe Red Rabbit conquistou o título de campeã da primeira edição mundial da LEGO Future Edition com o projeto Infraleaf, desenvolvido para auxiliar na identificação precoce de doenças e situações de estresse em plantas.
A proposta surgiu da observação de uma dificuldade enfrentada por especialistas: muitas doenças são identificadas apenas quando os sinais já estão visíveis, o que pode atrasar a intervenção e ampliar os impactos sobre os ecossistemas.
Equipe Red Rabbit é campeã da primeira edição da LEGO Future Edition
Foto: Camilla Carvalho/SESI-SP
Clara Vicente, de 13 anos, estudante do 8º ano da Escola SESI Americana e integrante da equipe, explica que o grupo buscou uma alternativa para antecipar esse diagnóstico.
“Percebemos que os especialistas acabam demorando muito para identificar doenças nas plantas, porque observam os sinais visíveis, que só aparecem quando a infecção já está em um estágio avançado, podendo chegar a 50%. Isso não é bom, porque os surtos de doenças afetam todo o ecossistema e podem fazer com que os animais migrem para outros lugares, prejudicando a fauna daquela região. Por isso, queríamos criar algo que ajudasse esses profissionais a identificar as doenças precocemente”, conta.
Durante a pesquisa, os estudantes conheceram melhor os estômatos, estruturas presentes nas plantas responsáveis pelas trocas gasosas. A partir desse conhecimento, desenvolveram uma solução que utiliza medições de temperatura e umidade, além de imagens térmicas, para identificar possíveis sinais de estresse vegetal.
O Infraleaf consiste em um acessório que pode ser acoplado a um drone. O equipamento reúne um sensor de temperatura e umidade e uma câmera térmica, permitindo observar as condições ambientais e a temperatura das folhas durante o sobrevoo da copa das árvores.
“Pesquisamos mais a fundo e descobrimos os estômatos, que são quase como poros das plantas e controlam as trocas gasosas. Quando eles se fecham, a transpiração da planta é interrompida e sua temperatura aumenta. Então, para identificar se ela está passando por algum estresse ou doença, pensamos em um acessório acoplado a um drone. Esse acessório, que é a parte principal do nosso projeto, tem um sensor de temperatura e umidade, que integra as duas medições, e uma câmera térmica”, explica Clara.
Foto: Camilla Carvalho/SESI-SP
A estudante detalha que o sensor de temperatura permite comparar as condições da folha com as do ambiente. Já a medição da umidade contribui para a análise das condições de transpiração, enquanto a câmera térmica possibilita observar a temperatura das folhas.
“O sensor de temperatura serve para medir as condições do ambiente. Descobrimos, no site FIR, que a variação saudável da temperatura da folha em relação ao ambiente fica entre menos 1 e 4 graus. A umidade ajuda a verificar se a planta está transpirando, e a câmera térmica permite observar a temperatura das folhas, já que o drone vai sobrevoar a copa das árvores. É uma solução que pode ser implementada em diferentes lugares”, afirma.
A equipe já desenvolveu um protótipo conceitual e um painel digital (dashboard) para apresentar as informações da solução. Segundo Clara, o projeto também recebeu validação técnica de dois engenheiros.
“Criamos um protótipo e até um dashboard para ele. Acredito que, para conseguirmos implementar a solução na prática, precisaríamos principalmente de um drone melhor, porque o nosso é pequeno e um pouco difícil de manusear. Mas é algo muito viável. Recebemos até validação técnica de dois engenheiros”, conta.
Além do reconhecimento pelo projeto, a conquista do primeiro lugar teve um significado especial para a estudante, que destacou a dedicação da equipe ao longo da temporada e a alegria de compartilhar o pódio com os colegas da escola.
“Nossa, é uma honra receber esse prêmio! A gente batalhou muito para conquistar isso, e é um alívio perceber que todos os nossos esforços ao longo da temporada valeram muito a pena. Essa é uma sensação muito boa. Mesmo se não tivéssemos ganhado, estaríamos superfelizes, claro, mas essa conquista é realmente uma realização para a nossa equipe. E saber que nossa equipe-irmã, da mesma escola, também ficou em segundo lugar torna tudo ainda mais especial”, celebra Clara.
A estudante também descreve a emoção de participar da competição e a importância da experiência vivenciada pelos integrantes da equipe.
“É algo realmente incrível. Todo mundo da equipe ficou eufórico, muito feliz. Estou até sem voz de tanto gritar de felicidade! Sou muito grata por tudo o que vivi nos treinos de robótica e por esse momento maravilhoso no torneio. Foi espetacular, aproveitei cada segundo. Amei tudo: a sala, os rounds e todas as atividades”, completa.
Blue Birds: monitoramento inteligente para apoiar a recuperação ambiental
2º lugar — Escola SESI Americana
Também da Escola SESI Americana, a equipe Blue Birds conquistou o vice-campeonato com o EcoMonitor, projeto desenvolvido para facilitar o acompanhamento das condições do solo e apoiar profissionais envolvidos na restauração ambiental.
A solução utiliza três sensores para coletar informações sobre o ambiente: de temperatura, umidade e dióxido de carbono (CO2). Os dados são enviados a um aplicativo desenvolvido pelos próprios estudantes, que apresenta gráficos, tabelas, comparações entre áreas, alertas e um histórico das medições.
Equipe Blue Birds é vice-campeã do torneio
Foto: Camilla Carvalho/SESI-SP
A proposta é oferecer informações organizadas e acessíveis para ajudar especialistas a compreender as condições de determinada área e acompanhar sua evolução ao longo do tempo, contribuindo para o planejamento de ações de recuperação.
Alice Bueno, de 13 anos, estudante do 7º ano da Escola SESI Americana e integrante da Blue Birds, destaca que o reconhecimento representa o resultado do empenho coletivo.
“Nossa, é incrível, porque mostra o quanto nos esforçamos e reforça a importância da dedicação. Uma frase que representa muito a nossa equipe é ‘o esforço supera o talento’. A gente usa essa frase todos os dias, e ganhar o prêmio mostrou isso de verdade. Somos campeões de um torneio novo, que é mundial!”, comemora.
A estudante explica que a solução foi pensada para tornar o monitoramento ambiental mais prático e eficiente, reunindo em uma única plataforma informações que podem auxiliar os profissionais na tomada de decisões.
“Temos a função do especialista e pensamos em desenvolver um monitoramento com três sensores: temperatura, umidade e CO2. Os dados captados são enviados para o aplicativo que desenvolvemos, no qual aparecem em gráficos e tabelas intuitivos. Ele permite comparar áreas, emitir alertas e consultar o histórico, então é possível voltar e verificar como estava determinado trecho de terra há um mês”, explica Alice.
Para ela, o acompanhamento contínuo é fundamental para que as ações de recuperação ambiental sejam mais bem direcionadas.
“Tudo isso é voltado ao solo. A solução ajuda os profissionais a entender o que está acontecendo naquela área e facilita o trabalho deles na restauração, porque o primeiro passo para restaurar é monitorar. E a nossa solução é justamente esse monitoramento”, completa.
Além de conquistar o segundo lugar geral, a Blue Birds recebeu o prêmio Performance no Jogo, com média de 495 pontos na pontuação oficial, destacando também o desempenho da equipe nos desafios da competição com o robô.
Foto: Camilla Carvalho/SESI-SP
O técnico das equipes Red Rabbit e Blue Birds, Denis Santana, orientador de educação digital da Escola SESI Americana, ressalta que os resultados refletem um trabalho educacional construído ao longo dos anos.
“Eu acho que, mais do que ninguém, posso falar não apenas do que acredito, mas do que sei e já vi acontecer. O SESI vem investindo em robótica desde 2009 e, em 2018, tivemos a primeira equipe campeã mundial no Festival. Hoje, vejo aqueles estudantes de 2018 com 25, 30 anos, todos como cases de sucesso, trabalhando em empresas de fora e pelo mundo”, afirma.
Para o técnico, a trajetória dos ex-estudantes reforça o potencial transformador das experiências vivenciadas na robótica educacional.
“Eu já tenho essa comprovação e, aqui, tenho certeza de que o futuro é esse. Todos os estudantes que passam pela robótica, por esse projeto, têm grandes possibilidades de alcançar o sucesso”, destaca Denis.
Biotech: ferramenta multifuncional para a coleta sustentável de sementes
3º lugar — Escola SESI Barra Bonita
O terceiro lugar ficou com a equipe Biotech, da Escola SESI Barra Bonita, que desenvolveu o Bioguard, uma ferramenta multifuncional voltada à coleta e à separação de sementes encontradas no chão, sem interferir diretamente nas plantas.
A ideia surgiu da identificação de dificuldades enfrentadas por profissionais que trabalham com a conservação da biodiversidade, especialmente na coleta de sementes, uma etapa importante para iniciativas de preservação e recuperação ambiental.
Biotech conquistou o 3º lugar do pódio
Foto: Camilla Carvalho/SESI-SP
Matheus Prado, de 13 anos, estudante do 8º ano da Escola SESI Barra Bonita e integrante da equipe, explica como o grupo chegou à proposta.
“Nosso projeto é o Bioguard. Identificamos o problema seguindo a trilha do operador e percebemos que a conservação da biodiversidade enfrenta dificuldades. A coleta de sementes é muito importante para essa conservação, mas existem alguns problemas nesse processo, como o uso de ferramentas improvisadas. Muitos especialistas não têm as ferramentas adequadas para realizar o trabalho”, conta.
Para enfrentar esse desafio, os estudantes projetaram um equipamento capaz de coletar sementes que já caíram no solo e separá-las de acordo com seus tamanhos, facilitando a organização do material para análises e estudos posteriores.
“Pensamos nisso e criamos o Bioguard, uma ferramenta multifuncional que coleta sementes que já estão caídas no chão, sem interferir na vida da planta. O próprio equipamento faz a separação por meio de peneiras intercambiáveis, adaptáveis a diferentes tamanhos de sementes”, explica Matheus.
Após a coleta e a separação, as sementes são armazenadas em um frasco removível, que pode ser identificado e encaminhado para estudos, conservação e análise. Dessa forma, o projeto busca reunir diferentes etapas do trabalho em um único equipamento, tornando o processo mais prático para os profissionais.
Foto: Camilla Carvalho/SESI-SP
O estudante também destaca que a proposta já foi apresentada a integrantes de uma iniciativa ligada à conservação ambiental.
“Depois que as sementes são separadas pela peneira, que funciona como uma pá, elas ficam em um frasco que pode ser removido, identificado e levado para estudos, conservação e análise. É um projeto totalmente aplicável. Uma das integrantes do grupo participa do projeto Sementes do Amanhã e já apresentou nossa solução para eles. A equipe gostou muito do projeto e já está utilizando o equipamento, que está facilitando bastante o trabalho”, afirma Matheus.
Mais reconhecimento para o SESI-SP
Além das conquistas da Red Rabbit, da Blue Birds e da Biotech, a equipe SESI Harpies recebeu o prêmio Design de Engenharia, ampliando a participação do SESI-SP entre os destaques da primeira edição mundial da LEGO Future Edition.
Equipe SESI Harpies conquista o prêmio Design de Engenharia
Foto: Camilla Carvalho/SESI-SP
O resultado reúne diferentes dimensões da aprendizagem proporcionada pela robótica educacional: o desenvolvimento de soluções inovadoras, a aplicação de conhecimentos científicos, a criatividade na construção de projetos e o desempenho nos desafios propostos.
Ao conquistar o pódio completo logo na estreia mundial da modalidade, as equipes do SESI-SP demonstraram o potencial dos estudantes para investigar problemas, trabalhar colaborativamente e desenvolver tecnologias conectadas a desafios reais da sociedade.
Delegação SESI-SP
Foto: Camilla Carvalho/SESI-SP