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25/06/2018 11:05 - atualizado às 11:54 em 25/06/2018

Contexto de Criação 

Ao final da Segunda Guerra Mundial, as Forças Armadas haviam deposto a ditadura do Estado Novo (1937-1945) e um governo democrático fora eleito em 1946, juntamente com uma Assembleia Constituinte multifacetada e pluripartidária, para elaborar a nova Carta Constitucional.

Os direitos trabalhistas, garantidos na Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT) de 1943, voltaram a vigorar. Entretanto, a suspensão desses direitos em 1944 deixara um travo amargo nos operários, oprimidos com jornadas longas, salários baixos e os lucros extraordinários de vários empregadores.

Por sua vez, a classe dominante almejava participar mais de perto nas decisões governamentais e reduzir a intervenção do Estado na economia.

De um lado, estavam empresários que queriam a adoção de uma política econômica liberalizante, de forma a facilitar o acúmulo de capital às custas de baixos salários e a expansão das empresas estrangeiras. De outro, industriais identificados com valores éticos e capitaneados por Roberto Simonsen e Euvaldo Lodi, contrários às práticas destruidoras da ordem social como o lucro fácil, a competição desenfreada e a ausência de "espírito de serviço, tão recomendado pela filosofia cristã".

Essa última corrente, favorável à construção social em bases mais justas, vinha organizando grandes congressos no final da Era Vargas, que culminaram na 1ª Conferência das Classes Produtoras, em Teresópolis (Rio de Janeiro), na primeira semana de maio de 1945. Seu documento conclusivo foi a "Carta de Teresópolis" que propunha o combate ao pauperismo, o aumento da renda nacional, o desenvolvimento das forças econômicas, a democracia econômica e a justiça social.

Inspirados nos princípios sociais da Carta de Teresópolis, um grupo de empresários lançou, em 1946, a Carta da Paz Social, expressando o desejo de estabelecer solidariedade e harmonia entre capital e trabalho. Esse primeiro passo para humanizar essas relações seria a criação dos serviços sociais, tanto da indústria, quanto do comércio.

Primeiras Atividades do Sesi-SP 

A primeira consequência da Carta de Teresópolis foi a criação da Fundação de Assistência ao Trabalhador (FAT), pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) para prestar serviços assistenciais aos operários da indústria.

Mantida pela contribuição espontânea dos empresários, durante sua breve vida, a FAT criou uma série de postos de abastecimento que foram imediatamente aproveitados pelo recém-criado Departamento Regional do Sesi de São Paulo.

Havia, na época, uma grave crise no abastecimento de gêneros de primeira necessidade nas grandes cidades como a capital paulista.

Logo, o Sesi-SP multiplicou os armazéns pelas principais áreas industriais da capital e interior do Estado. Em menos de um ano, já havia mais de 40 postos de abastecimento que atendiam a 35 mil famílias operárias.

Também em seu primeiro ano de existência, o Departamento Regional de São Paulo mobilizou a Escola de Serviço Social, o Instituto de Direito Social, o Instituto de Serviço Social e a Escola Livre de Sociologia Política de São Paulo para a organização de cursos intensivos destinados à preparação de assistentes sociais, educadores sociais, orientadores sindicalistas e funcionários de várias categorias que integrassem os quadros da entidade.

Sedes

Quando foi criado, em junho de 1946, o Departamento Regional do Sesi em São Paulo não possuía sede própria e utilizava dependências instaladas em diferentes prédios: uma parte funcionava na rua Conselheiro Crispiniano, outra na Fiesp, então localizada na Rua 15 de novembro, nº 244, no centro da capital.

Pouco depois de sua criação, o interventor estadual Fernando Costa assinou ata de doação do terreno para construção do Palácio Mauá, localizado na então avenida de Irradiação (atual Viaduto Dona Paulina).

O lançamento da pedra fundamental da obra projetada pelo engenheiro e ex-prefeito de São Paulo, Francisco Prestes Maia, aconteceu em 19 de novembro de 1946.

Em janeiro de 1948, o Conselho Regional adquiriu alguns andares do edifício Thomas Edison na rua Bráulio Gomes, nº 60 para sediarem o Sesi. E, em 1º de junho de 1949, o Diário Oficial do Estado de São Paulo (DOE) publicou ato dando nova denominação à rua Bráulio Gomes que passou a denominar-se Praça Dom José Gaspar. 

Em setembro de 1952 finalmente o Palácio Mauá ficou pronto para abrigar a Fiesp, o Ciesp e o Sesi, que ocupou os andares mais altos: no 10º, o Controle Central; no 11º, os Serviços Gerais; no 12º, Orientação Geral e Divulgação; no 13º, Presidência, Procuradoria, Inspetoria, Conselho Regional, Relações Públicas; no 14º, Educação Social; no 15º, Abastecimento e Assistência Social. A Divisão de Alimentação, contudo, permaneceu na Praça Dom José Gaspar.

Em 1967, um terreno na Avenida Paulista, 1313, foi adquirido para abrigar nova sede conjunta das três entidades. Um concurso público entre mais de cem escritórios arquitetônicos escolheu o projeto em forma de pirâmide de Rino Levi Arquitetos Associados Ltda. com quatro níveis de subsolo, dois pavimentos térreos e dezesseis andares.

As obras só tiveram início em agosto de 1970 e foram completadas pela Construtora Beter. Nove anos depois, em 27 de agosto de 1979, o prédio foi inaugurado pelo então presidente da Fiesp e do Conselho Regional do Sesi, Theobaldo De Nigris.

No início dos anos 1980, criou-se um Centro Administrativo no início da Rodovia Anhanguera, com 14 mil m² de área construída, onde se instalaram o Centro de Processamento de Dados, a Central de Abastecimento, o Almoxarifado Central, as Divisões de Abastecimento, Alimentação, Assistência Médica e Odontológica, Orientação Social, Recursos Humanos, Administrativa e Financeira, Suprimentos e Patrimônio, Tesouraria e Procuradoria Jurídica, Engenharia, Planejamento e Desenvolvimento e Assessoria de Comunicações.


Em maio de 2000, os Conselhos Regionais do Sesi e do Senai de São Paulo aprovaram o modelo de gestão integrada a ser adotado pelas duas instituições, que implantou unicidade de comando, fundiu as áreas-meio e manteve independentes as áreas-fim. Em decorrência dessa proposta, escolheu-se o edifício da Avenida Paulista, 1313, para abrigar a nova unidade corporativa.