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Alunos do Sesi-SP criam site sobre questões que permeiam o universo jovem

Com o projeto “Conta pra Gente”, estudantes oferecem apoio, conhecimento e conforto às questões da juventude em fase escolar

 Por: Karina Costa, SESI São Paulo
10/09/202011:41- atualizado às 16:21 em 10/09/2020

Bullying e outras violências, problemas de aceitação com o corpo, mudanças comportamentais e cognitivas são algumas das questões enfrentadas pela juventude, muitas vezes, sem o apoio, conhecimento e conforto necessários para vencer tais fases e desafios. Reconhecendo a importância da troca de experiências nessas situações, um grupo de alunos da rede escolar SESI-SP lança o projeto “Conta pra Gente”,  um espaço online para uma comunicação, de jovem para jovem, sobre as temáticas que mais os  preocupam. Com a iniciativa, seus idealizadores visam promover a mobilização pela paz nas escolas e nos ambientes de convívio social de estudantes a partir do nono ano do ensino Fundamental até o terceiro do Médio. 

Os estudantes esperam que o conteúdo preparado e sugerido por eles, converse, também, com quem está do outro lado do problema. “Penso que, quem pratica bullying, em algum momento vá refletir sobre o porquê age dessa forma, se algo que passou na vida possa ter acarretado as atitudes de hoje. Tem também a pessoa que está de fora da situação e poderia ser a mediadora, mas não sabe direito o que fazer. Então a ideia é que, além das vítimas, os jovens em qualquer dessas situações possam ser ajudados com os conteúdos e que espalhem a ideia”, exemplificou uma das integrantes do Conta pra Gente, Maria Sophia de Brito Rocha, aluna do 3º ano do Ensino Médio do SESI Ipiranga, unidade escolar em São Paulo (SP).

Acompanhados de um grupo de psicólogas do SESI-SP, cerca de 20 estudantes das escolas de Campinas (SP), Ipiranga e Vila Leopoldina, na capital, se dividem em equipes para desenvolver esse projeto, desde sua identidade visual, o conteúdo, a mobilização e a divulgação de boas práticas escolares. “Vamos abordar assuntos do momento, como violência contra a mulher e homofobia, pois muitos jovens passam por isso. Serão conteúdos mais ágeis, com a ajuda dos formatos de vídeo e podcasts, por exemplo. É bom que o jovem perca tempo com informação, mas não que ocupe horas do dia para tentar melhorar e, às vezes, não ficar confortável com o que acessou. Por isso, também preparamos um espaço para que deixe seu relato pessoal, o campo ‘Ajuda’”, contou Pedro Franco Silva, aluno do 3º ano do Ensino Médio do SESI Vila Leopoldina.

Segundo a psicóloga da rede escolar, Flávia Furlan, a ideia desse canal é rastrear as demandas desses jovens, para que os conteúdos criados pelos participantes do projeto se adequem ao tipo de ajuda solicitada, assim, transformando o site numa referência, especialmente para a comunidade escolar. “É feito de jovem para jovem, na linguagem deles, e com nosso apoio a partir das manifestações que recebermos. A expectativa é que seja um local de consulta, com conteúdos fidedignos, alinhados à ciência. Esperamos que chegue até esse público e seja motivador”.

Além da vantagem de uma juventude cada vez mais conectada, os integrantes do projeto evidenciam a importância do site num momento em que se fala mais abertamente sobre as próprias emoções. “Atualmente as pessoas têm maior interesse em saber pelo que estão passando, querem se conhecer mais”, acredita Mariana Fernandes Gonçalves Franco, aluna do 2º ano do Ensino Médio do SESI Campinas, unidade Amoreiras. “Sabemos que não vamos resolver todos os problemas, mas esse espaço é para que os jovens se sintam abraçados, escutados. Vejo nessa plataforma uma oportunidade de se expressarem abertamente”, completou.

Nesse sentido, os educadores da rede escolar também serão solicitados como fonte de geração de conteúdo. “A partir de entrevistas com os professores, colocando os alunos perto de seu ambiente, acreditamos que este se sentirá mais seguro, com vontade de conhecer sobre o que estão vivendo”, explicou Pedro. As boas práticas realizadas nas escolas da rede também ganharão holofote na página, para que outras unidades SESI tenham a oportunidade de se estruturar e replicar ações inspiradoras. “É o caso do ‘Café com Nadia’, uma conversa que acontecia durante o intervalo das aulas presenciais, por meio de uma rádio implantada na unidade do Ipiranga. Vários tópicos que definimos para debater no site foram inspirados em bons momentos de bate-papo com a Nadia, que é auxiliar pedagógica na unidade”, revelou Maria Sophia.

Além de exercer a empatia às questões do próximo, os participantes se reconhecem nas diversas situações que escolheram para abordar na plataforma. “Sempre fui chamada de conselheira pelos meus amigos, mas acabava esquecendo de mim. Vi no site uma maneira de ajudar pessoas como eu, que muitas vezes se sentem sozinhas com suas questões e não têm com quem falar. Numa outra época, estaria passando esses meus momentos sem nenhum apoio, mas o que antes era considerado frescura, agora, entendeu-se que precisa ser falado abertamente, tratado e, quem passa por esses problemas, tem que ser escutado”, opinou Giovanna Mello de Camargo, do 3º ano do Ensino Médio do SESI Ipiranga.

O “Conta pra Gente” faz parte das ações da Jornada Paz nas Escolas, uma parceria entre o SESI-SP, o canal Futura e a Fundação Roberto Marinho.

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