Mariane Cosmo, carinho e dedicação ao polo aquático desde a infância - Notícia - SESI SP

Mariane Cosmo, carinho e dedicação ao polo aquático desde a infância

09/03/2017 - Esporte

Amanda Demétrio, Agência Indusnet Fiesp

Cria da casa, Mariane Cosmo, atleta do Sesi-SP, é pura dedicação e carinho quando o assunto é polo aquático. Ainda meio tímida durante o início do bate-papo, a paulistana, que coleciona títulos nacionais, passagens pela seleção brasileira e ainda uma vaga na faculdade de Educação Física e Esporte da USP, não vê problemas em compartilhar tudo o que já passou. Ainda muito jovem, com apenas 9 anos, a então estudante do Sesi-SP se viu atraída por um pôster em um dos corredores da escola, com a foto de um atleta acompanhada de uma frase convidando a praticar polo aquático. Hoje ela tem 18 anos, e o que era uma simples brincadeira na água se tornou esporte de alto rendimento, com a conquista de inúmeros resultados.

“Quando vi o pôster pensei: ‘vamos, né?’. Era verão, tinha uma aula experimental na piscina e adorei. Brincadeira, sol e piscina era tudo que eu queria. Passei o verão inteiro jogando. Voltaram as aulas, mas eu queria continuar na modalidade, então me inscrevi no PAF e estamos aí até hoje”, se diverte Mariane explicando o seu início na modalidade.

Primeira aluna a se inscrever no Programa Atleta do Futuro (PAF) do Sesi-SP, a jovem foi acumulando responsabilidades e cobranças desde muito nova. Aprendeu cedo a importância de cumprir o combinado, respeitar regras e manter a convivência diária em equipe. Desde atender um pedido marcado, até ter disciplina com horários, seja de treino ou de compromissos particulares, Mariane dosa o quanto o esporte a ajudou com questões que o amadurecimento exige.

Justamente por ainda ser muito nova e já ter que lidar com responsabilidades e comprometimento, uma das fases mais difíceis que enfrentou até hoje foi quando precisou conciliar a escola com a prática esportiva em momentos mais decisivos, tanto em um lado como do outro. “Tem fase que estamos mais preocupados com a escola, provas, trabalhos e tem o outro lado, as fases de decisões em competições, que também pesam. Recentemente me dediquei e prestei vestibular, então tem momentos que junta tudo e pensamos em parar de praticar o esporte, ou até mesmo dar uma pausa no estudo para se dedicar só ao esporte. Mas isso tudo é mais por uma questão de ajuste na vida mesmo, e não por gostar mais de um do que do outro.”

Apaixonada pelo polo aquático a ponto de não deixar as indecisões da juventude mudarem o rumo das coisas, Mariane não tinha tanto conhecimento da modalidade antes de ver o pôster na escola, e muito menos possuía um ídolo em quem se inspirar. Com os treinos, a adaptação e o aprendizado sua visão foi mudando. Mas, diferente de um Neymar, um Serginho, uma Marta, uma Virna ou Fofão, a jovem nunca teve um nome especifico para se espelhar. Com o olhar sempre atento nas atletas que representavam a seleção adulta, a jogadora queria ser a fulana que fazia um belo gol, aquela que fazia uma marcação diferente. “Nunca tive uma pessoa especifica, eu sempre pensei que gostaria de estar lá, ser igual a elas.”

De olho nas representantes de seu país na modalidade, Mariane se dedicou, cresceu e aos 14 anos foi convocada pela primeira vez. “Fui tranquila e fiquei muita emocionada”. A partir daquele momento as coisas começaram a mudar. O desenvolvimento passou a ser fundamental para permanência no patamar alcançado, e a sequência de chamadas para representar o Brasil passou a ser uma constante. Mas nem sempre foi assim. Uma não convocação frustra, desanima, mas ainda sim se faz necessária na vida de um atleta.

“O difícil é que a gente vai criando aquela expectativa e necessidade de estar sempre entre as selecionadas. Quando eu não fui convocada, o que aconteceu algumas vezes, foi decepcionante. Mas aprendi e desde então eu sempre me preparo para esse momento, penso que preciso treinar mais para fazer valer. Porque se eu não for será uma decepção a menos. Fui aprendendo isso com o tempo. Muitas vezes numa não convocação bate aquela desesperança, dá vontade de parar, mas eu amo demais o polo e consigo segurar e seguir.”

Dona de um campeonato brasileiro sub 19, terceira colocação no adulto, tricampeonato sul-americano e um mundial pela seleção brasileira sub 20, Mariane até se atrapalha ao enumerar e selecionar os principais marcos de um currículo jovem, porém vitorioso. Agora, para o ano de 2017, além da boa expectativa para o Sesi-SP nas competições da temporada, a paulista ainda irá encarar um novo desafio para enriquecer ainda mais seu portfólio. Mariane agora é aluna de Educação Física e Esporte na Universidade de São Paulo – USP.

“No meio do ano passado cheguei à conclusão de que queria prestar um vestibular, comecei a estudar e me dediquei ao semiextensivo no cursinho. Confesso que não estava com a expectativa lá em cima e pensava que precisava estudar mais e mais para conseguir passar. Quando eu passei na primeira fase vi que daria para ir mais longe. Bateu uma esperança, mas ao mesmo tempo eu sabia que precisava me dedicar mais aos estudos, e não podia ficar só nessa expectativa para não me frustrar lá na frente. E deu certo. Fiquei muito feliz! Mas ao mesmo tempo bateu aquela pergunta ‘como será agora?’. Sentei com o Fagner (técnico), conversamos e com o apoio de todos do Sesi-SP estamos ajustando horários e rotina.”

Vivendo um misto de sensações, com o objetivo dessa fase sendo se dedicar aos estudos e não pegar uma dependência, além de conciliar o máximo possível desse momento com o polo aquático, Mariane encerra o bate-papo fazendo uma análise do que o Sesi-SP, unindo o esporte com a educação, fez em sua vida e o que essa parceria pode fazer pelo Brasil.

“Quando você pratica um esporte, ou faz uma atividade que gosta muito, acaba criando um objetivo na sua vida. Você se dedica muito mais às coisas que você quer, e até às coisas que não quer tanto naquele momento. Muitas vezes não gostamos tanto de estudar, pensamos em desistir, mas por conta do projeto, da sequência na modalidade, nos dedicamos aos estudos para seguir jogando, já que aqui as duas coisas seguem juntas, uma depende da outra. E isso é muito importante para os dois lados. O esporte faz você fazer coisas que nunca imaginou em fazer.” 

Mariane Cosmo Mariane Cosmo, atleta de polo aquático do Sesi-SP 
Foto: Divulgação/Sesi-sp)